ontem(burguêsmente, na companhia dum canadian club ), rendi-me pela sexta vez ao brilhantismo de Bob Fosse.Revivalismo cinéfilo, pois.
sábado, janeiro 10, 2009
domingo, janeiro 04, 2009
vontade indómita

Para a ministra dos Negócios Estrangeiros de Israel, Tzipi Livni (do partido Kadima, e ex-agente da Mossad) a criação de um Estado Palestiniano servirá como solução ao problema nacional dos árabes israelitas. Esta declaração surpreendente, pronunciada em 11 de Dezembro 2008, aos microfones duma rádio estudantil hebraica e divulgada no jornal israelita,"Haaretz", é exemplar nas intenções políticas para o futuro Estado de Israel. É também um tiro à queima-roupa nas crenças democráticas em Israel e um enorme soco no estômago para a opinião pública mundial simpatizante do sistema democrático judaico.
E o caso não é para menos. Livni,que ambiciona vir a ocupar o lugar de primeiro-ministro depois das legislativas de Janeiro, desenha assim, preto no branco, o futuro social:“Quando se criar o Estado da Palestina, poderei dirigir-me aos cidadãos palestinos (aos que chamamos árabes israelitas) e dizer-lhes: sois residentes com direitos iguais, mas a solução para o vosso problema nacional está em outra parte”. Tout court!
Em resposta aos comentários de Livni, o ministro [árabe israelita] da Cultura, Desporto e Ciência, Ghaleb Majadele reagiu do seguinte modo: "As raízes dos cidadãos árabes israelitas de Israel estão firmadas muito antes do estabelecimento do Estado de Israel. São residentes com direitos iguais neste Estado; a sua residência e cidadania não são negociáveis". E a concluir, Ghaleb deixou o recado:"Qualquer um que defenda a ideia de transferir a população árabe residente em Israel para os territórios do Estado da Palestina é anti-democrata". Nem mais.
Foto: Manifestantes judeus ortodoxos contra visita de Arial Sharon a Washington, em 29 Julho 2003 ( nkusa.org).
domingo, dezembro 28, 2008
punição recorrente

Ciclicamente, como vem sendo "tradição"também em período pré-eleitoral (com a extrema-direita como favorita), Israel cumpre sem disfarces a verdadeira natureza do colonialismo: opressão e morte. Para o povo palestiniano não resta outra saída senão resistir. Isso ou a submissão -que é impossível. Para já, a sitiada e martirizada Faixa de Gaza tem desde ontem de novo pela frente mais -e refinada- repressão sangrenta e demência, q.b. . Curiosamente ou talvez não, a novel acção punitiva do governo de Olmert tem lugar a poucos dias de Obama se tornar no primeiro presidente não branco do governo dos Estados Unidos -que injecta anualmente no Estado judaico a módica quantia de 2,5 / 3 biliões de dólares, a maioria dos quais destinados alegadamente à boa operacionalidade da máquina de guerra.
Foto:gazatoday.blogspot.com
segunda-feira, dezembro 22, 2008
redescobrir Paul Klee (1879-1940)
sábado, dezembro 13, 2008
Bresson revisitado
sexta-feira, dezembro 05, 2008
reprovável
domingo, novembro 30, 2008
portfólio (3)
terça-feira, novembro 25, 2008
proeza criativa
Faz quarenta anos que estreou 2001: A Space Odyssey, o mais revolucionário na forma e o mais original na criação técnica de toda a história cinematográfica do Mundo. Relembrem-se as declarações históricas de Stanley Kubrick na entrevista à revista norte-americana,Playboy : "2001 é uma experiência não verbal ; em duas horas e 19 minutos de filme, há apenas um pouco menos de 40 minutos de diálogo. Tentei criar uma experiência visual ,que escapasse aos registos verbalizados e penetrasse no subconsciente através de um conteúdo emocional e filosófico. Invertendo McLuchgan, em 2001, a mensagem é o meio".
quinta-feira, outubro 30, 2008
a harmonia (im)perfeita

Desde o final da adolescência que tenho conseguido manter uma estima especial pelo cinema de Woody Allen.Digo "conseguido, porque alguns filmes dele não me agradaram o suficiente e outros houve que contribuiram para o... rejeitar, por uns tempos, claro. Mas, na verdade, as minhas desilusões e "zangas" com Woody Allen encontram sempre um "antídoto" poderoso... vindo do passado para retomar o sentimento de estima e/ou de reconciliação. Interiors (1978) é o nome desse "antídoto" que ainda hoje mantém a "validade", a eficácia, e me dá uma completa satisfação cinéfila. Como vem sucedendo, de tempos a tempos, a cada nova revisão, como foi ontem o caso.
domingo, outubro 12, 2008
a morte do neoliberalismo?

Parecem ser, para já, imprevisíveis as consequências do "crash" financeiro que fez mergulhar a economia dos Estados Unidos na pior crise desde 1929. O efeito boomerang na Europa já se faz sentir e, tudo o indica, terá efeitos igualmente devastadores. Irónicamente, para os defensores fanáticos do defundo neo-liberalismo(usar o Estado para servir os seus interesses) são, agora, os Estados que vão pagar a factura pela alegada "falta de ética e desregulamentação" (!) e salvar o sistema financeiro através da injecção de triliões na banca -para começar. Karl Marx volta, estás perdoado!
segunda-feira, outubro 06, 2008
portfólio(2)
sexta-feira, outubro 03, 2008
na retina dos dias
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Aconteceu-me hoje (dois anos depois da tua partida, mãe) a meio da noite acordar de um sonho feito quase só com as imagens de alguns dos momentos mais afectivos entre nós dois. Digo "quase só" porque a imagem daquele dia do final da tua vida, em que eu te olhei pela última vez, apareceu-me entrecruzada vezes sem conta,repito, vezes sem conta, até despertar.
domingo, setembro 28, 2008
praga 68

Longe de mim alinhar na condenação global do processo de reformas audaciosas ( económicas, sociais e políticas) tentadas por Alexander Dubcek, primeiro secretário-geral do Partido Comunista da Checoslováquia, logo após a sua eleição em 5 de janeiro de 1968. Longe de mim aceitar que o processo de desenvolvimento do socialismo tenha forçosamente de obedecer a conceitos políticos e ideológicos estanques que comprovadamente, mais contribuiram para a sua desacreditação.
Fossem quais fossem as ilusões ou os riscos de manipulação, o recurso aos meios militares do Pacto de Varsóvia para pôr cobro, de forma dramática, à experiência checoslovaca -de escolher a sua própria dinâmica na construção da sociedade socialista- foi um erro de consequências trágicas.
segunda-feira, agosto 25, 2008
maio de 68
quinta-feira, agosto 21, 2008
que fazer? eís a questão...

A nomeação ministerial do advogado e militante socialista, Vítor Ramalho, para presidir à novel Fundação Inatel, anunciada em Diário da República no passado mês de Julho, pode vir a representar mais do que uma mera escolha política estratégica, pode sobretudo traduzir-se no reacender (ia a escrever, "legitimação") da esperança. Uma das suas primeiras tarefas será, concerteza, a de perceber qual a dimensão do desastre para que foi nos ultimos anos atirado o Inatel.
Alguém me dizia, que sem uma completa reformulação da sua estrutura orgânica (e o consequente desmantelamento dos projectos de interesses pessoais de poder ), sem reposição dos valores do respeito, da liberdade democrática e da diversidade de ideias e,sobretudo, sem justiça para os injustiçados, a esperança será vã.
Conhecendo o espírito inovador e a ousadia de Vítor Ramalho desejo-lhe sorte bastante para o novo desafio que tem em mãos.
foto:Smultronstallet (1957), by Ingmar Bergman
com kusturica em vigo

Foi assim: no fim de uma tarde de chuva miudinha de verão em Caminha alguém lançou o desafio, ir a Vigo nessa noite (de 17 Agosto) ver Emir Kusturica and the No Smoking Orchestra no grande auditório ao ar livre do Parque Castelón.Lembro-me de a meio da viagem de regresso dar por mim a trautear de modo quase inaudível "unza,unza time"e de ter imaginado Kusturica partir no final num gigantesco tapete voador iluminado por todos os lados como uma nave extraterrestre (igual á de Close Encounters of the Third Kind!)com que todos, ou quase todos, um dia sonhámos... . O absurdo é termos de nos contentar com o possível.
sexta-feira, agosto 15, 2008
portfólio (1)
quarta-feira, julho 30, 2008
No silêncio e na respiração

Demoro-me a percorrer-te o tempo todo que for preciso. Na ânsia de te ter, só minha e só nossa, inteira, desnudada de vulgaridades, acolhedora e tranquila, deixo-me possuir sem resistência, sem pressas em te (re)assimilar, nada.Regressar a ti é, sentar-me feliz e nostálgico no chão da varanda do lado e fechar os olhos por instantes e, ganhar a impressão de o cansaço da viagem (até ti) ter parado, de sentir a coragem reforçar , de agilizar o pensamento, da enorme vontade de escrever - como se fora sempre assim.
quinta-feira, junho 19, 2008
relembrar René Allio e Edgar Valdez Marcello

René Allio(08/03/1924 - 27/03/1995) é, passe a confissão "tardia", um dos cineastas (mas também ,pintor, cenógrafo e "brechtiano")que mais admirei desde os 18 anos e que admiro hoje cada vez mais. Essa admiração -que já se institucionalizara através do seu cinema que vi e revi muito interessadamente e que muito me marcou (Les Camisards, La Vieille Dame Indigne, L'Une et L'Autre,Rude Journée pour la Reine, Retour à Marseille, Pierre et Paul, Moi Pierre Riviere Ayant Egorge Ma Mere Ma Soeur et Mon Frere...)- teve um, dois acréscimos, alguns anos depois. Primeiro, ao visionar imagens dos seus trabalhos cénicos perspectivados segundo a problemática de arquitectura teatral moderna e pela transformação do espaço cénico contemporâneo. Allio, fez nesse campo um trabalho notável na concepção da Casa da Cultura de Lyon (para Roger Planchon), na concepção do teatro de ar livre de Hammanet, na Tunísia, no projecto de transformação do teatro Sarah-Bernhardt, em Paris, (que se tornou o núcleo do Théatre de La Ville). Segundo, a minha decisão em filmar a conferência de René Allio no Anfiteatro da Fauldade de Letras numa tarde de Abril de 81, a propósito da retrospectiva da sua obra cinematográfica que a Direcção-geral de Acção Cultural promoveu em Lisboa, no Teatro S.Luiz. Lembro-me perfeitamente: René Allio estava sentado à mesa (enorme)que ocupava o centro do palco. Num ápice, visualizei o "décor" e esgueirei-me por entre as filas de cadeiras em passo rápido forçando alguns estudantes a levantarem-se para permitirem a minha passagem. Quando me coloquei a uma distância não menos de 2 metros de Allio, foi nas mãos de René Allio que me fixei durante um minuto: As mãos em posse de descanso no tampo da mesa, numa quase quietude ou embaladas pela s palavras. As mãos a receberem a luz solar que penetrava pelas janelas altas. As mãos.
Demorei dez, doze dias a fazer a montagem do filme. Na versão final foram as mãos de René Allio que abriram e fecharam a sua conversa exemplar.
Devo a Edgar Valdez Marcello, ex-chefe de divisão de Cinema e Audiovisuais da Secretaria de Estado da Cultura (1978-83), designer gráfico, cinéfilo, -mas também , actor ocasional (em A Fuga de Luis Filipe Rocha)filósofo, consumidor sofrível de Canadian Club, morto numa madrugada de Inverno de 1991 num trágico acidente de viação- o privilégio em ter-me convidado (Setembro 1977) para desenvolver actividade tão diversa (formação, programação, pesquisa documental). Devo ainda ao Edgar uma caixa de Canadian club pela amizade pela cumplicidade e também pelos equívocos que atravessaram a nossa relação. Devo também ao Edgar, não apenas o ter acreditado no meu projecto de cinema experimental de adolescente-tristíssimo-às-voltas-com-efabulações-intelectuais-tipo Godard mas. o ter-me dado a honra de filmar René Allio numa conversa espantosa e brilhante que ficou registada para a posterioridade como uma memorável lição de cinema
cartaz"René Allio, Retrospectiva"(Abril 1981), designer por Edgar Valdez Marcello.
domingo, junho 01, 2008
para todo o sempre

Um dia destes, estava eu numa conversa de ocasião na Bertrand do Chiado e um meu (velho)amigo cinéfilo lançou-me a pergunta : ainda gostas de ler o Carlos de Oliveira? Resposta na ponta da língua: há um poema do carlos -aquele que tu bem conheces("leitura") - que me ficou cá dentro para toda a eternidade, espero... .
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