
Refª: 4ºs Encontros Cinematográficos de Angra Heroísmo (1996)
Formato(s): postal e poster (50x70)
Design: J.Diabinho
Edição: CMAH, Outubro 96





Obrigado, Pedro: pelo Quarteto, pela tua amizade, por durante anos teres aberto as portas das tuas salas aos ciclos e encontros de cinema (Homenagem a Luchino Visconti, Contos Morais de Eric Rohmer,Retrospectiva Peter Greenaway Filmes de Andrey Tarkovsky, Uma Memória do Cinema, Encontros de Cinema Europeu , Filmes de Culto, Que Viva Cuba!, etc.)que eu te ia propondo sob a batuta do Sector de Cinema do Inatel, alguns anos antes da sua destruição (e do meu saneamento grosseiro)às mãos de um tiranete ressaibiado a quem a santa impunidade tudo tem permitido. Até um dia destes. Grande abraço.





Assassinado há 4o anos, na Bolívia, o guerrilheiro mítico Ernesto 'Che' Guevara é, desde a minha adolescência, um exemplo singular e raro de revolucionário descomprometido que teve a enorme coragem de procurar fora do Poder (e das benesses) uma via pessoal de afirmação da luta pela liberdade e o idealismo-utópico socialista.
1. Por estes dias, em que o prazer da leitura (no caso, J.P.Sartre, Politica e Autobiografia, ed. António Ramos, 1977, tradução de Pedro Tamen) se tem sobreposto ao prazer da escrita no blog, o meu pensamento tem-se "perdido de amores" no terreno político e, claro está, designadamente sobre as novidades (já com efeitos assinaláveis) contidas nos novos Código Penal e Código do Processo Penal. Sem esperar pelo que ainda falta vir -como, por exemplo, as leis de Segurança Interna e de Organização da Investigação Criminal, que o Governo anunciará por certo antes do final do ano- tenho-me é deliciado ainda mais a tentar "acertar" em quais terão sido as motivações mais intímas (dos espíritos humanos que exercem o poder) para tanto empenhamento em assegurar o mínimo dos danos colaterais para manter a essência do sistema nos tempos ainda mais sombrios, que virão. A ideologia global (política, moral, etc.) que vem contaminando os governos de quase Mundo inteiro (a pretexto, sublinhe-se do 11 de Setembro de 2001), impondo a sua visão das "novas relações reais", subvertendo princípios e recuperando antigas obsessões (concepção de um estado policial e hipervigiado) reflecte quanto "desesperada" (ia a escrever "acossado") é a sua percepção do mundo: constatação de desagregação.
Oito meses antes do 25 de Abril de 1974, os Estados Unidos punham ponto final parágrafo á experiência democrática chilena iniciada em 1970, em plena "guerra fria", com a eleição do médico e socialista, Salvador Allende. Para a administração norte-americana, as"ousadias" (nacionalizações, reforma agrária, políticas sociais, aproximação do "bloco" soviético e de Cuba,etc.) do governo de unidade popular e o receio do "efeito de simpatia" poder contaminar a região -na maioria dos países, governada por juntas militares fascistas- desestabilizando a ainda mais, era por demais intolerável. Em menos de seis meses, o Pentágono, a Cia, as transnacionais, põem em marcha acções de desestabilização política, social e económica para descredibilizar o governo e forçá-lo a abdicar ou, como veio a ocorrer, derrubá-lo através de um "putsch" militar, cirúrgico e brutal.
Por estes dias, sinto cada vez menos paciência em lidar com o "ruído", vão e alienante, à volta do caso Maddie, das rivalidades infantis e dos jogos de poder internos no PSD, das manchetes grotescas da maioria da imprensa escrita. Não apenas porque não tenho qualquer necessidade de fazer o gosto ao sistema que é o de nos forçar a alimentar o grande circo em cena no reino (contaminado pela hipocrisia), mas também porque tenho mais que fazer do que me prestar a "utilitário" no funcionamento (cada vez mais disfuncional e caduco,
Durante as férias, "penitenciei-me"do desinteresse a que tenho votado -desde o inicio de Março...- a literatura de ficção. Esse retorno ao (prazer do) romance literário foi, por um acaso feliz (ao remexer nos livros de minha mãe), iniciado com a leitura de Terra de Neve ( Yukiguni), uma obra-prima da escrita de Yasunari Kawabata(1899-1972), que é só um dos maiores (e mais esquecidos entre nós...apesar de obra editado) escritores nipónicos do século XX, prémio nobel em 68.