À espera da anunciada recuperação -cujo projecto, segundo A.Victorino de Almeida, terá sido aprovado recentemente pela Câmara Municipal- , o edifício do Cine-Teatro "Valadares" A. Pires, de Caminha, (uma das muitas localidades a norte do Porto sem salas de cinema em funcionamento) aí está, votado ao abandono, desde meados de 80, e em avançado estado de degradação. Seria (no mínimo) uma incongruência deixar tudo como dantes, apesar das aparentes boas intenções... .quinta-feira, agosto 23, 2007
lugar das imagens
À espera da anunciada recuperação -cujo projecto, segundo A.Victorino de Almeida, terá sido aprovado recentemente pela Câmara Municipal- , o edifício do Cine-Teatro "Valadares" A. Pires, de Caminha, (uma das muitas localidades a norte do Porto sem salas de cinema em funcionamento) aí está, votado ao abandono, desde meados de 80, e em avançado estado de degradação. Seria (no mínimo) uma incongruência deixar tudo como dantes, apesar das aparentes boas intenções... .terça-feira, agosto 21, 2007
transfigurações
Na zona histórica de Caminha (que tarda em se recuperar...), frente ao edifício degradado do Cine-Teatro Valadares somos, de súbito, convocados para os territórios da lenda popular e do cinema fantástico. Mas o tempo já é outro. E não apenas nos ecrãs... mas, sobretudo, nas nossas próprias vidas.Cruel transfiguração? segunda-feira, agosto 20, 2007
sábado, agosto 18, 2007
sexta-feira, agosto 17, 2007
quinta-feira, agosto 16, 2007
"a culpa" em ecrã de Moledo
Ontem à noite, graças à AMIR - Associação de Instrução e Recreio de Moledo, o centro cultural encheu-se de gente interessada (mais de uma centena e meia de espectadores) para assistir à projecção de A Culpa, filme de António Victorino d'Almeida rodado em 1979, em Lisboa e Caminha, e estreado em salas da capital e do Porto um ano depois, com alguma pompa circunstância. A Culpa, recorde-se, teve direito na altura a uma mão cheia de exibições, em antestreia, no Valadares,velho cine-teatro caminhense.Para os mais "distraídos", convirá lembrar que no despontar dos anos oitenta o cinema português deu sinais de mudança muito prometedores (Manhã Submersa, de Lauro António, Kilas, o Mau da Fita, de Fonseca e Costa, Oxalá e Lugar do Morto, de António Pedro de Vasconcelos, Cerromaior, de Luis Rocha...) que mereceram a adesão entusiástica de muito público mas que com o correr dos tempos (e a retoma de alguns equívocos e obsessões narrativas) se foi esfumando.
A Culpa não é, evidentemente, um grande filme mas tem boas ideias: o velho tema do sentimento de culpa no viver português, aqui e ali pontuado por tons de irreverência e comicidade (nem sempre bem sucedida); um "cast" - onde pontificam, Mário Viegas, Sinde Filipe, Estela Novais, Rui Mendes, Adelaide João, entre outros - que prima pela muito razoável prestação artística; a qualidade da banda sonora, especialmente criada para o efeito, por Victorino d'Almeida e que é reveladora do seu enorme talento, imaginação e arte.No meio do quase deserto cultural em que se tornou o concelho de Caminha, é de saudar esta iniciativa, como outras que aí vierem. Remar contra a maré, é preciso!.
iraq freedom, lembram-se!?

Pouco importa se os atentados bárbaros de ontem no norte do Iraque foram obra da Al-Qaeda, como pretendem os norte-americanos ou, pelo contrário,uma consequência directa da guerra de ocupação e rapina desencadeada por Bush em março de 2003. Uma coisa é certa: os iraquianos -todos os iraquianos, xiitas, sunitas, curdos, católicos, judeus...- estão a ser vítimas de uma guerra requintada de extermínio perpretada também por aqueles que se apresentaram cínicamente como pretensos "libertadores" e arautos dos valores da democracia. O pesadelo de Abu-Grahib comprova-o bem...demais.
No ano passado, a prestigiada (e insuspeita...) publicação médica britânica ,The Lancet estimava em mais de 600.000 mil os iraquianos mortos desde o início da guerra. Para os meios de comunicação que papagueiam a "opinião que faz lei" esses números do destino trágico dos iraquianos era "excessivo" quer dizer, inconveniente. Recentemente, -há menos de um mês- a Just Foreign Policy divulgou nova estimativa do grau de devastação humana -o hiperexcessivo, valor de 1.007,411!- com base num estudo científico. Credível ou não, a verdade é que o Iraque continua ser laboratório da barbárie. E justificadamente em nome da "moral" do mercado, entre outras !
quarta-feira, agosto 15, 2007
"rest forever here in our hearts"
Dias 23, 24 e 25 de Agosto, Boston presta tributo a Nicola Sacco e BartolomeoVanzetti, dois imigrantes italianos radicais assassinados pelo poder político-judicial norte-americano, em 1927. O mea-culpa veio em 1976 através de uma corajosa tomada de posição do democrata Dukakis, governador do Estado de Massachusets.segunda-feira, agosto 13, 2007
domingo, agosto 12, 2007
imagem de uma ficção
Verão de 1980. Grutas de Mira D'Aire. Preparação de cena do documentário para a RTP, Moinhos Velhos, do João Ponces de Carvalho. A descida ao poço (com cerca de 25 metros) revelou-se-me uma tarefa bastante desconfortável -apesar do treino prévio- ao ponto de me tremerem os braços...mas absolutamente gratificante de prazer quando toquei chão firme. "Corta! vamos retomar a partir da saliência. Claquette... Acção!". De novo...Foto: João Ponces de Carvalho
sábado, agosto 11, 2007
apocalypse, now!
Um dia após o "crash" nas principais bolsas mundiais(provocado, recorde-se, pela crise no mercado do crédito imobiliário norte-americano), Vasco Pulido Valente retoma, na edição de hoje do Público, o tema da América e do reinado "irresponsável" da administração Bush. Vê-se que VPV suporta mal qualquer uma das irresponsabilidades maiores que enumera (Iraque, Afeganistão, América Latina...)cometidas por um presidente norte-americano que fez gestos obscenos na televisão, observou exercícios militares com binóculo tapado ou leu do avesso livro infantil . Preocupado com as consequências da mentira e dos enganos(!) de George W. Bush, o clima insurrecional instalado no Partido Republicano e a derrota das aventuras militares, VPV profetiza: "O Ocidente está em risco de ficar sem a América". No pensamento de VPV já se vislumbram no horizonte tempos de catástrofe "inimaginável". Sabendo que em política não existe a perfeição mas a sabedoria, o mínimo que me apetece dizer é que a América de Bush está a colher as tempestades da cobarde ousadia de invadir, ocupar, colonizar o Iraque com base em mentiras para se apropriar dos seus recursos petrolíferos e hídricos e cumprir objectivos militares geo-estratégicos, e não para "reformar o Islão" coisa nenhuma. O mesmo se aplica ao Afeganistão, evidentemente.
A América de que fala Vasco Pulido Valente só pode ser a América de Bush. É essa a América que deve, de facto, desaparecer -leia-se o artigo de Burt Cohen, "America needs to Impeach". Em nome dos valores democráticos de Jefferson e Luther King. E para bem do Mundo.
Foto: Apocalypse Now, de Francis Ford Coppola (USA,1979)
sexta-feira, agosto 10, 2007
nos tempos que correm

Na semana passada, um velho amigo, jornalista, aposentado à força em nome duma alegada "reestruturação" (que, na realidade, nunca esteve para acontecer...) deu-me conta da sua preocupação face ao sistema político como se a ameaça à liberdade estivesse de novo na ordem do dia. Alguém (éramos mais três à volta duma mesa da Brasileira) "lembrou" que estamos a assistir a novas concepções de totalitarismo, incomparavelmente mais cruel do que outra forma conhecida de poder. De facto, interrompe o meu amigo, temos o fascismo higiénico, -como o disse Paulo Portas (sorrimos todos)- limitador da liberdade individual do acto de fumar.... a generalizar qualquer dia ao acto de beber e ao de...pensar e agir livremene, quem sabe. O que mais me tem causado perplexidade(interrompe o mais velho de nós) é que dantes no tempo do fascismo a gente se levantava contra aquilo que nos oprimia e agora não, são muito poucos os que ousam... .É -digo eu- a estratégia clássica da sobrevivência de pactuar com a iniquidade e o arbitrio em nome da vidinha, vegetativa e esterilizada... .
Foto: They Live! (John Carpenter, USA-1988)
quinta-feira, agosto 09, 2007
segunda-feira, agosto 06, 2007
hiroxima foi há 62 anos

A rosa de Hiroxima
Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada
Vinicius de Moraes in Antologia poética
Vinicius de Moraes in Antologia poética
sábado, agosto 04, 2007
recordação de janis joplin
Aos 16 anos, não pensava que as coisas intensas (como o amor, a paixão, a amizade)fossem efémeras.Janis Joplin era um dos meus "refúgios" mais ou menos reconfortante quando alguma dessas coisas não corria bem, acabava(m) ou,simplesmente,me sentia desconfortável, ansioso e passava uns dias no quarto fechado. Eu e Janis!
sexta-feira, agosto 03, 2007
revisitar bertolt brecht

Dificuldade de governar
1
Todos os dias os ministros dizem ao povo
Como é difícil governar. Sem os ministros
O trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima.
Nem um pedaço de carvão sairia das minas
Se o chanceler não fosse tão inteligente. Sem o ministro da Propaganda
Mais nenhuma mulher poderia ficar grávida. Sem o ministro da Guerra
Nunca mais haveria guerra. E atrever-se-ia a nascer o sol
Sem a autorização do Führer?
Não é nada provável e se o fosse
Ele nasceria por certo fora do lugar.
2
E também difícil, ao que nos é dito,
Dirigir uma fábrica. Sem o patrão
As paredes cairiam e as máquinas encher-se-iam de ferrugem.
Se algures fizessem um arado
Ele nunca chegaria ao campo sem
As palavras avisadas do industrial aos camponeses: quem,
De outro modo, poderia falar-lhes na existência de arados? E que
Seria da propriedade rural sem o proprietário rural?
Não há dúvida nenhuma que se semearia centeio onde já havia batatas.
3
Se governar fosse fácil
Não havia necessidade de espíritos tão esclarecidos como o do Führer.
Se o operário soubesse usar a sua máquina
E se o camponês soubesse distinguir um campo de uma forma para tortas
Não haveria necessidade de patrões nem de proprietários.
E só porque toda a gente é tão estúpida
Que há necessidade de alguns tão inteligentes.
4
Ou será que
Governar só é assim tão difícil porque a exploração e a mentira
São coisas que custam a aprender?
quinta-feira, agosto 02, 2007
bergman: a explicação da imagem
...Quand on fait un film, il faut arriver à accrocher ses démons à son char et être capable de foncer pour se défaire de tous les masques qui peuvent se succéder et entraver votre recherche de la vérité. Bergman, je crois, était quelqu'un de constamment assailli de tout un tas d'images et il disait dans une formule que je trouve marquante: "Mes films sont les explications de mes images". Le cinéma a vraiment une capacité d'investigation et en retour c'est un cinéaste qui a une valeur d'usage intime, chacun le reçoit très personnellement en fonction de sa sensibilité.André Téchiné, declarações ao Libération, 31 de Julho 2007 Foto: Sommaren med Monika -1952 (Mónica e o Desejo)
quarta-feira, agosto 01, 2007
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comme s'il fallait remplacer l'éternité...