Noite de segunda-feira frente ao televisor para reencontrar (em dvd) um velho "herói" da adolescência cinéfila: Shane (George Stevens, 1953) afigura-se-me agora envelhecido, ultrapassado, demasiado simbolista. Ainda assim, o filme parece conservar muito da carga mítica com que seduziu, admiravelmente, espectadores de todas as idades. A figura misteriosa de Allan Ladd, o cavaleiro justiceiro de branco vestido, surgido do "nada", a lutar contra o mal, (personificado por Jack Palance, de negras roupagens) era , para mim, uma imagem tão sólida, tão abusivamente perfeita que chegava mesmo a ser paralizante ao ponto de o ter visto quase de seguida num longínquo fim de semana dos inícios de 70. terça-feira, julho 24, 2007
simbolizar o "bem"
Noite de segunda-feira frente ao televisor para reencontrar (em dvd) um velho "herói" da adolescência cinéfila: Shane (George Stevens, 1953) afigura-se-me agora envelhecido, ultrapassado, demasiado simbolista. Ainda assim, o filme parece conservar muito da carga mítica com que seduziu, admiravelmente, espectadores de todas as idades. A figura misteriosa de Allan Ladd, o cavaleiro justiceiro de branco vestido, surgido do "nada", a lutar contra o mal, (personificado por Jack Palance, de negras roupagens) era , para mim, uma imagem tão sólida, tão abusivamente perfeita que chegava mesmo a ser paralizante ao ponto de o ter visto quase de seguida num longínquo fim de semana dos inícios de 70. desmontagem crítica

Ser radical é descer à raiz; e a raiz do homem é o próprio homem (i.e. a sua individualidade)
Karl Marx
Faz trinta anos (para ser preciso, entre 18 Maio de 1977 e 29 Dezembro de 1978)que João Sousa Monteiro nos brindou com "O Homem do Tempo", um singular e nada usual programa radiofónico, transmitido duas vezes por semana na ex-RDP 4. Singular porque assumia um inconformismo, subversivo e radical, na crítica do capitalismo (incluindo o de Estado) e desmontava, um a um, "os tabus sociais de maior impacto estratégico para a sobrevivência e o bom funcionamento de qualquer sociedade civilizada que consiste na proibição de pensar". Pouco ou nada usual porque JSM dirigia-se , num tom revolucionário que não era vulgar, deliberadamente, contra a formatação do conceito, vulgar e demagógico, de "revolucionário" e sobre algumas das suas teorizações mais dominantes.
A força de "O Homem no Tempo" mostrava-se muito para além dos textos ditos por JSM e o suporte audio (voz de Hitler a discursar; ruídos de aviões; metralha e explosões, etc.) que ajudava na "descida aos infernos". É certo que o trabalho de JMS (incómodo, muito incómodo para as "boas" consciências) terminou silenciado, para tranquilidade dos espíritos mais sensíveis e cheios de certezas.
Em 1979, a Assírio & Alvim resolveu publicar os textos que durante semanas, meses constituíram a razão desse refrescante "O Homem no Tempo": "Tire A Mãe da Boca" e "Tabu, príncipe dos cágados de fraldas ao vento ladra ás portas do futuro". Um diptíco imperdível agora que nos acenam com novos velhos costumes totalitários.
Foto: Die Blechtrommel ( O Tambor), de Volker Schlondorff, Alemanha/França, 1979
quarta-feira, julho 18, 2007
a vulnerabilidade do poder
segunda-feira, julho 16, 2007
a ultima oportunidade
Como se esperava, o socialista António Costa ganhou as eleições intercalares para a CML. Sem maioria absoluta e a previsível oposição moderada da assembleia municipal, que lhe é adversa, o ex-ministro Costa tem pela frente uma tarefa verdadeiramente ciclópica: a de voltar a repor a credibilidade na maior autarquia do país e num curto espaço de tempo. Não vai, concerteza, ser tarefa fácil. Por conveniência, mas também por necessidade "funcional"estratégica, o PS vai ter de fazer uma política de antecipação de interesses se não quiser tornar-se refém, não apenas de si mesmo, mas das oposições. É para esse risco, o de subordinação à teia de interesses representados pelo PSD e Carmona (responsáveis pelo desbaratar de crédito estes anos todos), que o PS tem de reagir. De contrário, é a anulação, a erosão numa palavra, renúncia. E, então, teremos a (re)comprovação de estarmos, politicamente, irremediavelmente condenados.
sexta-feira, julho 13, 2007
para minha mãe
Aconteceu-me hoje lembrar-me do teu aniversário. Em poucos instantes revi-te no olhar doce, expectante e por vezes triste a caminhares até mim dares-me um beijo, fazeres-me uma festa, retribuires-me um sorriso e tranquilizares-me com uma palavra.
Aconteceu-me hoje lembrar-te através dos beijos, dos abraços, dos afectos; lembrar-te também através das inquietações, dos receios, das preocupações, das alegrias; lembrar-te ainda através da combatividade, das incertezas, do (des)ânimo. Lembrar-te em muitas coisas que em criança me dizias e me faziam rir porventura das histórias de fadas e gnomos que me lias ao deitar e das matinées de cinema aos domingos, das passeios a pé, dos desenhos que fazias para mim ou dos teus poemas, escritos num pequeno bloco de bolso, que me lias em momentos especiais de felicidade.
Lembrar-me de ti é, como hoje, encontrar-me incomparávelmente só.
quarta-feira, julho 11, 2007
in memoriam de Sousa Mendes, o rebelde consciencioso

A peça de Luís Francisco Rebelo, "A Desobediência", sobre a personalidade corajosa e respeitável do cônsul Aristides Sousa Mendes que ousou desafiar ordens de Salazar salvando as vidas de 30.000 refugiados da demência nazi-fascista vai, a partir de 11 de Outubro, subir ao palco do Teatro da Trindade, numa encenação do actor Rui Mendes.
reflexos do tempo (2)
José Vítor Malheiros no Público de ontem, dia 10 : "Que se exija uma lealdade aos chefes que proíbe a crítica política é algo que não merece outra qualificação senão a de fascista". É confortante ver que nem todos se (re)traíram ao clima de medo e de intolerância que parece grassar impunemente na sociedade portuguesa decorridos trinta e três anos do acto libertador de 25 Abril. Não é por acaso que essa vaga de atitudes ultra-direitistas que vimos assistindo nos últimos dois meses têem tido um propósito deliberadamente provocatório. De resto, o próprio Governo, mais precisamente Sócrates, acusa algum desconforto mas, o certo é que tarda, tarda e muito, a tomada que se impõe de decisão de honra do governo, porque é de honra de um governo eleito democraticamente que se trata. E de um governo saído de um partido socialista. No mínimo, a honorabilidade do governo obriga a desencorajar, revelar desagrado, advertir os candidatos a opressores que a tolerância atingiu, agora e sempre, o grau zero de permissividade. O governo deve deixar-se de explicações simplistas e, pior, ambíguas, que só tem servido para fazer aumentar a dúvida, duvidar das intenções políticas do Estado, instalar a insegurança progressivamente e a apologia do medo e da obediência cega ( não só para controlar) em que nos querem meter a todos. O governo deve agir, se quiser continuar a merecer o respeito do povo que lhe outorgou, através do voto democrático, a legitimidade do poder. O artigo, acutilante e corajoso, de Vítor Malheiros é uma tomada de consciência do que está ocorrendo em certos pensamentos bem instalados e que não adianta querer disfarçar e assobiar pró lado. Quanto mais não seja em nome da democracia e dos seus intrínsecos valores.
segunda-feira, julho 09, 2007
reencontrar Kurosawa
Hoje, resolvi perder-me, uma vez mais, de amores por Dersu Uzala (cópia dvd, made in Spain, por 12,5 euros!) e reconfirmar Kurosawa como um dos realizadores mais marcantes e influentes na minha paixão pelo cinema. O texto, da minha autoria, que segue no parágrafo seguinte, foi redigido aquando da estreia, no final da década de setenta, na sala do Apolo 70, já desaparecida e publicado na Linha Geral, revista (ano 3, nº18, março de 79) da UEC (União dos Estudantes Comunistas, liderada por dois "pesos pesados": Zita Seabra e Pina Moura!) para a juventude estudantil, onde eu era colaborador. O texto, competente, mas pouco analítico e muito descritivo, cheio de "vicíos", dizia assim:Dersu Uzala - A Águia da Estepe, é um filme lúcido e impressionante sobre dois paralelos: o homem e a natureza e a atitude do homem face a si mesmo. Mas é igualmente um filme sobre a amizade entre dois personagens centrais, Arséniev e Dersu. Amizade que se reforça graças ao amor que ambos dedicam à natureza. Tudo isto aliado a um tratamento soberbo da imagem e som. Observação rara, num estilo documental, onde se respira um profundo humanismo que se reconhece cena após cena com tal grandiloquência que fazem de (Akira) Kurosawa um excelente autor . De forma que este filme é um verdadeiro caleidoscópio de excelentes imagens com um dos mais difíceis actores: a natureza , tal como ela é.
Foto: Dersu Uzala, by Akira Kurosawa (URSSJapão, 1975)
domingo, julho 08, 2007
pierre bourdieu, presente!
Defensor da criação de um movimento social europeu capaz de se opor aos ditames da nova ordem económica mundial , o militante social, crítico acérrimo do liberalismo desenfreado e sociólogo Pierre Bourdieu (1930-2002) deixou-nos em Contrafogos (1 e 2, publicados pela Editora Celta) uma análise cortante e exemplar sobre as teias económicas dominantes em curso e a sua ofensiva poderosa, pelo gradual desmantelamento do Estado social. Acho que a palavra "cortante" é frouxa para adjectivar com precisão o rigor, a capacidade e a excelência de reflexão sobre os tempos que vivemos. E aqueles que ainda hão-de vir.sábado, julho 07, 2007
reflexos do tempo (1)
Na companhia do gato, Nico, ( em cima da secretária, atentíssimo aos toques no teclado) reflicto sobre a troca de impressões de ontem com um velho amigo de noitadas cinéfilas: que efeito vão ter em cada um de nós os tiques autoritários e intolerantes expressos nos últimos tempos por alguns respeitabilíssimos membros da admnistração de Sócrates? Voltaremos aos anos de chumbo em que ter opinião contrária irá despertar, de novo, a aplicação da repressão? Por enquanto, o que mais me impressiona, é a tranquilidade bovina reinante: os comportamentos estão já formatados no essencial. Estamos agora na fase de amplificação. Talvez por isso a minha disponibilidade por estes dias para reler Chomsky, Bourdieu, Huxley(como também, Orwell) e Kafka tem sido quase total. Não, não como "porto de abrigo" nem essas tretas todas, antes como cúmplice de homens que pensaram o Homem com extrema lucidez profética.Agrada-me que esta vontade de retorno ao Homem seja feita justamente por tão exímios ilustradores.
Foto: Stalker, by Andrei Tarkovsky (URSS, 1979)
quinta-feira, julho 05, 2007
totalitarismo estatal
Confesso: o pensamento da secretária Pignatelli sobre a liberdade de expressão e quais os sítios adequados e menos próprios para expressar opiniões conduziu-me de imediato ao quarto de banho cá de casa (por razões de pura comodidade e segurança... bacteriológica) para melhor avaliar do simbolismo do lugar onde, como aconselha a simpática senhora, deverão
ser despejados os nossos mais secretos rancores contra os governos, a nossa raiva incontida contra os ministros, os subsecretários e secretários (desculpem a des-ordem), os adjuntos dos últimos e respectivos assessores e chefes de gabinete se for caso disso.
Confesso: parte da missão da secretária Pignatelli era escusada, pelo menos para mim. O pensamento, isto é, todo o livre pensamento, foi sempre perseguido e condenado pelos poderes totalitários. Para o totalitarismo (estatal) não basta ser-se absoluto e arbitrário é preciso levar á asfixia toda e qualquer crítica do espírito. Foi isso que aprendi aos 16 anos em pleno regime fascista. Que fazer? Bom, sempre podemos por começar carregar no botão do autoclismo. E, de seguida, passar à acção... recordando Manuel Alegre: Há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não.
Confesso: parte da missão da secretária Pignatelli era escusada, pelo menos para mim. O pensamento, isto é, todo o livre pensamento, foi sempre perseguido e condenado pelos poderes totalitários. Para o totalitarismo (estatal) não basta ser-se absoluto e arbitrário é preciso levar á asfixia toda e qualquer crítica do espírito. Foi isso que aprendi aos 16 anos em pleno regime fascista. Que fazer? Bom, sempre podemos por começar carregar no botão do autoclismo. E, de seguida, passar à acção... recordando Manuel Alegre: Há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não.
terça-feira, julho 03, 2007
Abu Graib:as confissões do general
A revista norte-americana, New Yorker, publicou no seu número de 25 de Junho uma entrevista, bastante esclarecedora, com o ex- general Antonio Taguba, responsável pela primeira investigação militar sobre as torturas praticadas na prisão de Abu Graib de Bagdad. Segundo Taguba, -que acabou afastado por se ter recusado a ocultar a barbárie praticada na prisão iraquiana- "o ex-Secretario de Defesa, Donald Rumsfeld, e outros altos funcionarios conheciam, meses antes da sua divulgação pública, a existência de mal tratos e torturas praticadas" no célebre cárcere da capital do Iraque.Para aceder ao artigo, na íntegra, clique em:www.newyorker.com/reporting/2007/06/25/070625fa_fact_hersh
segunda-feira, julho 02, 2007
sinal de "progresso"
Por decisão da Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) tomada em Abril passado, a EscolaEB 23 Padre Agostinho Caldas Afonso é extinta a partir de Agosto. Não fosse o caso de escola ter sido escolhida para receber o "Prémio Iberoamericano de Excelência Educativa 2007", atribuído por um organismo internacional não governamental, sedeado no Panamá, e o fecho anunciado deste estabelecimento de ensino seria apenas mais um nas estatísticas. Que explicação (simplista) tem o Ministério da Educação para mais este sinal de esclerose do sistema? Arrisco a "máxima" (que me ocorre no momento): descerebrizado pela grosseria neo-liberal o responsável (ou, os responsáveis) por mais este acto de depauperamento do país deu uma prova de se ter demitido da condição humana.
domingo, julho 01, 2007
running on empty revisitado
Metáfora sobre a família (que se reporta às consequências de um acto de luta política nos anos 60 contra a guerra do Vietname) , Running on Empty / "Fuga Sem Fim" , de Sidney Lumet mereceu, na altura da estreia em sala (verão 1989), os mais calorosos elogios por parte da crítica. E o caso não era para menos. Surpreendentemente, ou talvez não, Lumet fez de um tema carregado de emocionalidade e permeável à exploração lamecha, um filme de enorme contenção narrativa, sobriedade e rigor. Rever, dezoito anos depois, Running on Empty , em dvd, ficou -me amplamente demonstrado que o "toque" de Lumet fica para sempre fixado na minha retina como um dos mais comovidos e simples deslumbramentos humanos. Foto: River Phoenix e Christine Lathi, em Running On Empty (1988), by Sidney Lumet
sábado, junho 30, 2007
palavra de homem
I refuse to be silent any longer. I refuse to be party to an illegal and immoral war against people who did nothing to deserve our aggression. My oath of office is to protect and defend America's laws and its people. By refusing unlawful orders for an illegal war, I fulfill that oath today.
U.S. Army First Lt. Ehren Watada
sexta-feira, junho 29, 2007
ideia de felicidade
Salvo uma ou outra excepção a política do governo continua a seguir, passo a passo, a cartilha de recomendações do FMI. E é pena, porque ao contrário do que se pensa, a sociedade portuguesa não tem (nem terá, nunca) desenvoltura nem dinâmica capazes de aguentar os efeitos devastadores das políticas económicas de "ruptura" em curso, definidas como "necessárias e imperiosas" para o "sucesso" de Portugal, como rezam todas as teses.Nem muito menos estamos preparados para as suas consequências. Em nome do mesmo "sucesso", pedem-nos que enterremos os sonhos (quer dizer, as aspirações, os desejos, as vocações...) e nos disponhamos de bom grado a aceitar todo o tipo de estereotipos e de normas, novas, em que "necessáriamente" passaremos a viver, a depender, para nosso bem, individual e colectivo, evidentemente.
O pior desta tragédia não é o facto de acabarmos, dia menos dia, por nos tornarmos ainda mais escravos e pobres, o pior é convencerem-nos através da alienação que o sonho é um absurdo agora e sempre para o resto das nossas vidas. A tragédia maior é que é preciso um esforço, enorme, para levar as pessoas a perceberem que ele, o sonho, é uma coisa que lhes pertence por direito, que lhes é intrinseca e não é "negociável", em nenhuma situação como as outras coisas que deixámos , pouco a pouco, e cobardemente, nos fossem sendo retiradas.Em nome da "crise", do "desenvolvimento" e também de um "futuro radioso" que jamais conheceremos. Se calhar a ideia de felicidade para a maioria continuará a estar, por muitos anos e bons, no preenchimento semanal do euromilhões. Quer dizer, pelo jogo, pelas apostas, só. Maior felicidade do que esta não pode haver!
quarta-feira, junho 13, 2007
intensidade sugestiva
Donde teria partido esta vontade súbita em voltar a ler António Ramos Rosa? Se calhar depois de ouvir (no pick-up!) os études, op. 10 & op. 25, de Chopin pelo toque virtuoso do piano de Maurizio Pollini. Que relação entre Chopin e Ramos Rosa? O certo é que um produziu, por assim dizer, o efeito (sugestivo) de desejo sobre o "outro". A (re) leitura de Ramos Rosa despoletada pela audição de Chopin deu nisto: a vontade de partilhar um poema (dos maiores...) de A.Ramos Rosa que é (como não podia deixar de ser) de uma enorme intensidade lírica na expressão do alargamento do sentir e do desejo do "eu" e do "tu".
Em abandono límpido tocar
a margem ou centro sob o sol
no perfeito e inacabado arco
do poema
em delírio de um avanço no silêncio
incorporar o escuro sopro de uma
sombra
percurso lúcido e essencial de uma
palavra
até ao limite intransponível
até ao hábito inicial
de uma boca
de terra e ar
fresca do silêncio no avanço
de um espaço branco e negro
margem e centro terra sempre
no fundo a secreta praia lisa
talvez o incessante respirar
(António Ramos Rosa, Boca Incompleta, Edição Artcádia)
domingo, junho 10, 2007
por este rio acima...
Uma das criações maiores da música portuguesa que não me canso de (re)ouvir sempre que a vontade o impõe. Maior também pela fonte (inesgotável) de inspiração. Por ele passou muita da força criativa de "Além do Maar"(Circulo de Leitores / Bertrand), do meu querido amigo Miguel Medina, morto faz exactamente um ano. revisitar Joanne Woodward

A noite passada, furioso com o desplante assassino da rtp2 em exibir, numa cópia "pan & scan", um dos maiores filmes de Sydney Pollack, "Jeremiah Johnson", decidi procurar no acervo de vhs's "algo" suficientemente apaziguador e belo que me fizesse esquecer mais este acto hediondo (agravado pela habitualidade...) da televisão pública. Sem quaisquer reticências, optei por rever The Effect of Gamma Rays on Man-in-the Moon Marigolds ("O Efeito dos Raios-Gama no Comportamento das Margaridas", estreado no antigo Pathé, no outono de 1973...), de Paul Newman, baseado na obra de Paul Zindel, (prémio Pulitzer) com Joanne Woodward. O que é tocante neste drama intimista (a fazer lembrar uma peça de Tennesse Williams) é a actuação vigorosa de Joanne Woodward, na pele de uma mulher sem amor à volta com as dores de crescimento das suas duas filhas, adolescentes. Newman, que filma magistralmente, sabe como ninguém convocar os sinais de vida, as esperanças e desilusões, as dádivas e a retribuição, as incongruências e a desfaçatez. Parafraseando Angelopoulos, restar-nos -á o tempo inteiro e um dia?
palavras de howard zinn
Civil disobedience is not our problem. Our problem is civil obedience. Our problem is that numbers of people all over the world have obeyed the dictates of the leaders of their government and have gone to war, and millions have been killed because of this obedience. Our problem is that people are obedient all over the world in the face of poverty and starvation and stupidity, and war, and cruelty. Our problem is that people are obedient while the jails are full of petty thieves, and all the while the grand thieves are running and robbing the country. That's our problem.Howard Zinn, historiador, in 'Failure to Quit'
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