
A intolerância é sempre uma perda para quem a pratica.
David Lands, in "A Riqueza e a Pobreza das Nações"

Hoje, resolvi perder-me, uma vez mais, de amores por Dersu Uzala (cópia dvd, made in Spain, por 12,5 euros!) e reconfirmar Kurosawa como um dos realizadores mais marcantes e influentes na minha paixão pelo cinema. O texto, da minha autoria, que segue no parágrafo seguinte, foi redigido aquando da estreia, no final da década de setenta, na sala do Apolo 70, já desaparecida e publicado na Linha Geral, revista (ano 3, nº18, março de 79) da UEC (União dos Estudantes Comunistas, liderada por dois "pesos pesados": Zita Seabra e Pina Moura!) para a juventude estudantil, onde eu era colaborador. O texto, competente, mas pouco analítico e muito descritivo, cheio de "vicíos", dizia assim:
Defensor da criação de um movimento social europeu capaz de se opor aos ditames da nova ordem económica mundial , o militante social, crítico acérrimo do liberalismo desenfreado e sociólogo Pierre Bourdieu (1930-2002) deixou-nos em Contrafogos (1 e 2, publicados pela Editora Celta) uma análise cortante e exemplar sobre as teias económicas dominantes em curso e a sua ofensiva poderosa, pelo gradual desmantelamento do Estado social. Acho que a palavra "cortante" é frouxa para adjectivar com precisão o rigor, a capacidade e a excelência de reflexão sobre os tempos que vivemos. E aqueles que ainda hão-de vir.
Na companhia do gato, Nico, ( em cima da secretária, atentíssimo aos toques no teclado) reflicto sobre a troca de impressões de ontem com um velho amigo de noitadas cinéfilas: que efeito vão ter em cada um de nós os tiques autoritários e intolerantes expressos nos últimos tempos por alguns respeitabilíssimos membros da admnistração de Sócrates? Voltaremos aos anos de chumbo em que ter opinião contrária irá despertar, de novo, a aplicação da repressão? Por enquanto, o que mais me impressiona, é a tranquilidade bovina reinante: os comportamentos estão já formatados no essencial. Estamos agora na fase de amplificação. Talvez por isso a minha disponibilidade por estes dias para reler Chomsky, Bourdieu, Huxley(como também, Orwell) e Kafka tem sido quase total. Não, não como "porto de abrigo" nem essas tretas todas, antes como cúmplice de homens que pensaram o Homem com extrema lucidez profética.
A revista norte-americana, New Yorker, publicou no seu número de 25 de Junho uma entrevista, bastante esclarecedora, com o ex- general Antonio Taguba, responsável pela primeira investigação militar sobre as torturas praticadas na prisão de Abu Graib de Bagdad. Segundo Taguba, -que acabou afastado por se ter recusado a ocultar a barbárie praticada na prisão iraquiana- "o ex-Secretario de Defesa, Donald Rumsfeld, e outros altos funcionarios conheciam, meses antes da sua divulgação pública, a existência de mal tratos e torturas praticadas" no célebre cárcere da capital do Iraque.Para aceder ao artigo, na íntegra, clique em:www.newyorker.com/reporting/2007/06/25/070625fa_fact_hersh
Metáfora sobre a família (que se reporta às consequências de um acto de luta política nos anos 60 contra a guerra do Vietname) , Running on Empty / "Fuga Sem Fim" , de Sidney Lumet mereceu, na altura da estreia em sala (verão 1989), os mais calorosos elogios por parte da crítica. E o caso não era para menos. Surpreendentemente, ou talvez não, Lumet fez de um tema carregado de emocionalidade e permeável à exploração lamecha, um filme de enorme contenção narrativa, sobriedade e rigor. Rever, dezoito anos depois, Running on Empty , em dvd, ficou -me amplamente demonstrado que o "toque" de Lumet fica para sempre fixado na minha retina como um dos mais comovidos e simples deslumbramentos humanos.
Uma das criações maiores da música portuguesa que não me canso de (re)ouvir sempre que a vontade o impõe. Maior também pela fonte (inesgotável) de inspiração. Por ele passou muita da força criativa de "Além do Maar"(Circulo de Leitores / Bertrand), do meu querido amigo Miguel Medina, morto faz exactamente um ano. 
Civil disobedience is not our problem. Our problem is civil obedience. Our problem is that numbers of people all over the world have obeyed the dictates of the leaders of their government and have gone to war, and millions have been killed because of this obedience. Our problem is that people are obedient all over the world in the face of poverty and starvation and stupidity, and war, and cruelty. Our problem is that people are obedient while the jails are full of petty thieves, and all the while the grand thieves are running and robbing the country. That's our problem.
A fraternidade é o que os homens serão uns em relação aos outros, quando, através de toda a nossa História, se puderem dizer ligados afectiva e afectivamente uns aos outros. Se me falta alguma coisa, dás-ma, e vice-versa. Isto é o futuro da moral.