quinta-feira, fevereiro 08, 2007

au hasard, balthazar

"Bresson explore un même motif : l’innocence et le mal, la pureté et ce qui la dégrade."
Encyclopédie Universalis

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

anne wiazemsky

Anne Wiazemsky, a actriz fétiche dos cineastas do cinema de autor, como Bresson, Godard, Garrel e Pasolini apresenta-se numa entrevista bastante interessante por sinal, publicada no último número da Les Inrockuptibles. É notório o peso de Bresson reflectido anos, muitos anos mais tarde na sua primeira obra escrita; o casamento com Godard (criticado por Bresson nestes termos: 'Mais Anne, vous faites une folie , il est trop vieux!'); a atracção pela personalidade de Pasolini; as experiências godardianas radicais, sobretudo La Chinoise.
Anne Wiazemsky foi um dos meus amores secretos durante uma boa parte da adolescência e da idade adulta. Essa "fixação" em Anne obrigava-me a ver Au Hasard Balthazar, Teorema de Pasolini, Rendez-Vous, (de Téchinè) vezes sem conta. Uma atracção desmedida, confesso-o. Porque nunca me permitiu sair desse impasse, dessa impossibilidade, de a ter no ecrã e de a desejar a meu lado.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

pelo "sim", contra a hipocrisia

O referendo pela despenalização do aborto às dez semanas é pau para toda a obra dos que defendem o "não"até às ultimas consequências: bebés boneco made in china do tamanho de um isqueiro passam de mão em mão como que a alertar para o "crime hediondo" que livremente se praticaria aos "milhares"(sic) se o "sim" vencesse; a igreja (alguma da Igreja...precisemos) ensaia nas homilias a excomunhão violenta, ao estilo medieval ,das pecadoras sedentas de matar a vida no ventre, enquanto catequistas febris distribuem nos infantários e nas ruas cartinhas de supostas crianças a quem as mães não mataram a vida e que por isso estão agradecidas(!); um inventivo ex-ministro da segurança e do emprego propõe a condenação das mulheres a uma pena de serviço na comunidade como se fossem jovens delinquentes. Há ainda os moderados que defendem um castigo simbólico das mulheres que abortem, contra a própria lei que deixa de ser lei!.
Todos no "não" pugnam pela vida, a vida acima de tudo! Só estranho, e muito, que a coerência desses princípios não inclua as pilulas contraceptivas e não proponham -por mera razão de coerência- a sua proibição imediata e a aplicação de castigos a quem prevaricar, -como é?
Conclusão: De vez em quando o país vira uma enorme tenda de circo e o espectáculo é sempre o mesmo: disfuncional, demencial e histérico quanto baste, para manter as bancadas em gargalhada e na ilusão de estar a gozar de felicidade.

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

palavras de faulkner

Some things you must always be unable to bear. Some things you must never stop refusing to bear. Injustice and outrage and dishonor and shame. No matter how young you are or how old you have got. Not for kudos and not for cash, your picture in the paper nor money in the bank, neither. Just refuse to bear them
William Faulkner

terça-feira, janeiro 09, 2007

ícones

Andrei Rubliov (1966), de Andrei Tarkovski
(André Rubliev)
Porque
o vento cobre de imagens os tellhados.
O tempo das colheitas
já passou, vem a morte, André Roubliev,
mordendo os cataventos, espera-nos
um cavalo
tão fertil como a chuva sobre os ícones.

Gil Nozes de Carvalho,
in O Bosque Sagrado, Gota de Água (1986)

"paredes frias": voz off dum filme perdido

Stalker, de Andrei Tarkovski
Às vezes, dou por mim a imaginar-me viver perto da infância, tendo por companheiros os meus amigos mais chegados. Às vezes a companhia é a solidão, outras a fala das imagens que eu quando jovem e adolescente juntava depois de sair do cinema num fim de tarde de verão.
Às vezes, só ás vezes, vejo-me de olhos fechados, corpo adolescente, a imaginar a eternidade do momento, de todos os momentos e de todas as recordações, passadas num tempo que parecia límpido, tão inesperadamente límpido que nunca será inalienável. Nunca.
Outras vezes, sonho que todas as paixões mesmo as paixões mais absurdas vem de novo ter comigo e eu guardo-as apesar de tudo, apesar sobretudo da vida ser-nos reduzida.
Às vezes, às vezes, um gesto e olhar doce como no antigamente servem para varrer os axiomas da vida, descolar do desânimo e desviar do desespero. Nunca hão-de compreender aqueles, nem ou outros, que nunca ousaram o atrevimento de ser inteiros e únicos. Como diria o Fernando Pessoa.
Às vezes imagino que nunca vou me cansar de voltar a sentir tudo como se fora a primeira vez.

segunda-feira, janeiro 08, 2007

iniciação

Foi com Noronha da Costa que aprendi o sentido da pintura.
Devo, em parte, essa descoberta ao Zé Miguel Figueiredo -amigo da adolescência com quem partilhei a paixão pelo cinema e a fotografia- que, em 1972, no dia de anos do pai (que saudades, Vitor Figueiredo!) me convidou a ir lá a casa. Logo à entrada, dei por mim siderado frente ao branco imaculado das paredes da sala a deslumbrar-me com "um" N.da Costa colocado acima do maple... . Um deslumbramento que me ficou na retina. Para todo o sempre.

sábado, janeiro 06, 2007

náusea

A condenação à morte de Saddam Hussein, a farsa judicial que o antecedeu e a divulgação de imagens da execução "em directo" por enforcamento, apenas servem para sublimar a grandiosidade do desastre da aventura imperialista no Iraque e permitir aos escribas de serviço arrotarem uma catadupa de idiotices e lugares comuns que tresandam a hipocrisia da mais rasteira.
Se Saddam mereceu a pena capital pelo massacre de 148 xiitas, ocorrida nos anos 80, então o que merecem Bush, Chenney e Rumsfeld pelas vidas de centenas de iraquianos massacrados desde o inicio da agressão militar?.Isto para já não falar do campo dos horrores que (comprovadamente) foi (é?) Abu Ghraib ou na paradisíaca estância de Guantánamo, que faria as delícias das SS e do seu líder, Adolf Hitler.
Há dias, o Manuel António Pina (uma das raras excepções a opinar fora da rota da pantominice instalada...) escrevia no JN esta coisa simples mas lapidar : "são sempre criminosos que julgam outros criminosos". Nem mais!

quinta-feira, janeiro 04, 2007

vulnerabilidades do sistema

Finalmente, on line! Privado (desde o penúltimo dia do ano passado) de sinal do servidor fui-me -mesmo que não por decisão própria- habituando à condição momentânea de "incomunicável". Uma excepção, não a regra -evidentemente.

quinta-feira, dezembro 28, 2006

memória do tempo

Na noite de consoada a saudade veio de mansinho instalar-se no meu pensamento. E encontrei-me só, perdido em noites de leitura na minha velha cama de menino. Eram as aventuras do major alvega de princípe valente e do tarzan. A escutar o último autocarro a subir em esforço a avenida. Irado vou para a janela e fumo mais um cigarro. Engulo o fumo e depois faço-o sair em circunsferências nem sempre perfeitas. Olho a paisagem de carroos dormentes na praceta mal iluminada. Mesmo que não o deseje tenho de enfrentar a saudade. Que poderei eu fazer senão guardar-te na retina. Encontrar-nos-emos na morte, esse lugar cheio do tudo acabado. Que falta que tu me fazes, Mãe.

quarta-feira, dezembro 27, 2006

quarto dos brinquedos

Aconteceu-me a meio da tarde ser sequestrado pelos jovens sobrinhos no quarto de brincar e ser obrigado a ler a história da Anita e os fantasmas com interrupções pelo meio de um que queria pôr-se às cavalitas e outro que desejava exercitar os seus dotes de kung-fu entre gritos de guerreiros e risos incontidos. Às tantas, os miúdos desligaram a luz , ligaram o leitor de cd's e forçaram-me a acompanhá-los ao ritmo do hip-hop. Foi pena, o sequestro ter durado pouco tempo. Sequestro como este deixam a memória com um manancial de lembranças.

domingo, dezembro 24, 2006

imagine...



(by John Lennon)
Imagine there's no heaven
It's easy if you try
Nowhere below us
Above only sky
Imagine all the people
Living for today...
Imagine there's no countries
It isn't hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too
Imagine all the people
Living life in peace...
You may say I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope someday you'll join us
And the world will be as one
Imagine no possessions
I wonder if you can
No need for greed or hunger
A brotherhood of man
Imagine all the people
Sharing all the world...
You may say I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope someday you'll join us
And the world will be as one

sábado, dezembro 23, 2006

o natal na clandestinidade?

It's a Wonderful Life (1946), de Frank Capra
Nas últimas semanas os meios de comunicação (pelo menos, a escrita) vem repetindo as mesmas palavras, os mesmos "recados", sobre a nova ideia, absurda e perigosa, noticiada no diário britânico The Guardian relativa a uma alegada campanha de católicos e da direita, súbditos de Sua Majestade, a favor do "fim da celebração do Natal"(!). Não o fim em si mesmo mas um fim na sua "exposição" pública, sob o pretexto de "não ofender"(!) ritos de outras religiões. Quer dizer: celebrar a festa católica do Natal sim, mas o mais discretamente possível!. De preferência na clandestinidade!
Num mundo marcado cada vez mais pela ausência total de perspectivas o objectivos sociais e políticos uma proposta deste calibre -diga-se, surpreendentemente urdida- serve antes de mais para caracterizar a mentalidade actual de certos poderes em se disporem a "reeducar" as massas sobre aquilo que é ou não "conveniente" e "políticamente correcto".
Só pode tratar-se de uma ficção com propósitos publicitários à escala mundial,da consequência do estado de demência avançada de quem se lembrou duma atordoada destas ou, na pior das hipóteses, da primeira grande estocada de um qualquer lobbie islâmico a dominar as sociedades ocidentais, sem dispararem um único tiro ou deflagarem bombas.
A paranóia está instalada e tem já seguidores zelosos -na Grã-Bretanha, Espanha, Estados Unidos- que mandaram suprimir referências ao Natal nos cartões da época; em escolas (Saragoça) e até em aeroportos estadounidenses de onde terão sido mandadas retirar as tradicionais árvores de natal!.
Lembro-me, que de outra vez ( aquando da morte do capitalismo de Estado a Leste) falou-se em "fim da História". Viu-se aonde queriam chegar de facto os novos ideolólogos da capitalismo neoliberal com tamanho disparate.


quarta-feira, dezembro 20, 2006

ofícios

Every single empire in its official discourse has said that it is not like all the others, that its circumstances are special, that it has a mission to enlighten, civilize, bring order and democracy, and that it uses force only as a last resort. And, sadder still, there always is a chorus of willing intellectuals to say calming words about benign or altruistic empires.

Edward W. Said - "Orientalism 25 Years Later," Counterpunch.org website, 4 August 2003.

segunda-feira, dezembro 18, 2006

reflexão nocturna

Fui sempre um leitor sôfrego, mesmo que agora não o seja tanto quanto desejaria.
Tenho-me interrogado, desde a morte de minha mãe, sobre o que teria mudado na minha vida de adulto se tivesse nos últimos trinta anos sido capaz de manter a mesma relação que até á adolescência mantive com os livros. Não apenas porque a leitura me criou a obrigação desde cedo (necessária) ao acto da própria escrita mas porque eu era uma pessoa que havia descoberto na literatura uma forma perfeita de lidar com a minha ligação com o mundo e outra data de coisas que me assaltavam a consciência.
Nunca fui capaz de entender a literatura como um mero entretém ou outro disparate qualquer. Alguns dos livros que li quando adolescente mudaram o rumo da minha vida outros foram um completo embuste. Em certo momento, aconteceu que os livros tomaram conta de mim e eu correspondi-lhes com espírito "de missão". Deixei que os livros (alguns dos livros) entrassem na minha vida interior com glória.
Os livros que eu nunca mais quis (re)ler esqueci-os por completo. Como acontece(u) com alguns amigos que, afinal, não eram nem nunca foram amigos porque foram incapazes de manter a relação em momentos agudos da vida. Provavelmente por medo.

domingo, dezembro 17, 2006

in memoriam de Lopes Graça

A 25 de Abril de 1974, eramos jovens e inocentes, -nem tanto.
Viviamos sob o signo da utopia, do mundo novo que "estava ali" ao virar da esquina, julgavamos nós. Reuniamo-nos nos cafés da zona da Avenida de Roma (o Trevi, a Madrid) para falar dos ideólogos da nova esquerda, do marxismo, do leninismo,do último Godard, da revolução russa, de Stalin (que gerava entre nós muito prurido), de Guevara e Fidel, do Até Amanhã, Camaradas, (que todos sabíamos ser escrito pelo Álvaro), de Lukacs, dos eurocomunistas Carrilho e Berlingueri e do "puro e duro", Lister, dos filmes de Eisenstein, de Vertov e de Poudovkine, da Revolução Francesa, do Irish Republican Army, da Fatah, da contestação à guerra do Vietname de Praga 67, da Insurreição de Budapeste em 56, da Ofensiva de Tet e do exímio general vietnamita,Giap; dos "meetings" no ISE ou em Medicina, das cargas da polícia de choque comandadas pelo capitão Maltês ou pelo Capitão Pereira (que me deu voz de prisão duas vezes em 1973), da Declaração de Independência da Guiné-Bissau transmitida pela rádio Portugal Livre, etc, etc, etc. .
Mas o único motivo de satisfação (ia a escrever , enorme) que nós poderíamos ter vivido estava programado para uma noite memorável de Junho no Coliseu de Lisboa: as canções heróicas de Fernando Lopes Graça.
Lembro-me, perfeitamente, de a sala do Coliseu dos Recreios parecer vir abaixo com a implosão de milhares de vozes em uníssomo: "Vozes ao alto, vozes ao alto /unidos como os dedos da mãos / Havemos de chegar ao fim da noite / Ao som desta canção". Era uma festa, mas uma festa de combate. Em torno de muitas coisas, penso eu.
Lembro-me a propósito das pessoas mais velhas com lágrimas nos olhos darem as mãos às pessoas mais jovens e da fraternidade tomar conta da sala a noite inteira.
O Lopes Graça deixou-nos a todos nessa noite de 74 uma memória e uma lembrança: nunca renunciaremos ao sonho!

sábado, dezembro 16, 2006

elegia de ernesto sampaio

Às voltas com textos do Ernesto Sampaio e a releitura (do seu) "Ideias Lebres", veio parar-me às mãos um depoimento magnificamente sentido de Mário Cesariny, publicado no Público a 7 de Dezembro de 2001, dias depois da morte de Ernesto, a que não resisto partilhar:
"Ernesto Sampaio tinha a grande rebeldia e a grande inteligência. dentro do grupo surrealista, era dos mais lúcidos, dos que mais sabiam, dos mais rebeldes. Um sentido de humor formidável, uma agudeza de espírito extraordinária, amabilíssimo. Era uma figura muito rara, de saber e dedicação. Uma figura grande. Desde a morte de Fernanda Alves, já não sabia viver. É a única pessoa que conheço que morreu de amor".

sexta-feira, dezembro 15, 2006

os dias imensos

copyright by FotoAçor

Na abertura oficial do 1º Festival Internacional de Cinema de Angra do Heroísmo, em Novembro de 2002, Leonel Vieira e Karra Elejalde (actor e realizador espanhol) apresentaram ao público da Terceira, que quase esgotou o Teatro Angrense, a mui aguardada produção de "A Selva", adaptação da obra de Ferreira de Castro realizada com apurado sentido criativo e de representação. Reexibido duas vezes durante o Festival, -para os estudantes do secundário e público ansioso- "A Selva" foi também responsável por um convívio inesquecível entre técnicos, produtores, actores, realizadores, organizadores ejornalistas como raras vezes me foi dado sentir em outras manifestações congéneres.

terça-feira, dezembro 12, 2006

a hora de bertolucci

Não será, por certo, o melhor filme de Bertolucci mas é com toda a certeza um dos seus mais lapidares, estreado em Portugal depois da queda da ditadura. No meio de tanto lixo e vulgaridade massificada, não seria má ideia sugerir ao Paulo Trancoso uma edição pack, no mínimo de quatro títulos (o inédito, La commare Secca, Prima Della Rivoluzione, Strategia del Ragno e o ora lembrado Il Conformista), tudo obras-surpresa dos primeiros anos de carreira de Bernardo Bertolucci
No deserto em que se transformou a edição DVD neste país, a Costa do Castelo é a unica réstea de luz que, desde há anos, resiste e nos tem dado a (re)ver uma parte importante da memória do cinema. A Costa do Castelo (a "nossa"pequena Criterium!) é um caso singular de sucesso que merece ser apoiado. Paulo, te(re)mos Bertolucci em 2007 ?!

domingo, dezembro 10, 2006

lei da vida para pinochet

(Foto: Pinochet parece explicar ao Papa, João Paulo II que o visitou em 1987, como se resolve os problemas "em casa")
A lei da vida -a única que pelos vistos foi possível aplicar-lhe- colocou um ponto final na existência de Augusto Pinochet, o todo poderoso ditador que em 11 de Setembro de 1973, apoiado por Kissinger, CIA e uma vintena de Transnacionais norte-americanas, usurpou pela força das armas o poder legítimo do governo de Unidade Popular e assassinou o seu presidente,
- o socialista, não marxista, lembremo-lo- Salvador Allende.
Pinochet, que mandou assassinar centenas de opositores das mais variadas tendências políticas (comunistas , socialistas, sociais-democratas, radicais de esquerda e até democratas-cristão), foi o autor moral dos atentados (à bomba) contra o general constitucionalista, Pratts, em Buenos Aires, em 1974 e de Orlando Lettelier em Washington, foi o patrono da célebre Operação Condor que uniu todos os ditadores de então no poder da América Latina para uma guerra de terror e extermínio contra milhares de opositores "subversivos".
Pinochet é também o rosto do ódio à cultura e inteligência qaundo ordena a queima pública de livros, de bibliotecas inteiras, (inspiração germânica nazi) nas ruas de Santiago ordem cumprida pela soldadesca nos dias imediatos ao "putsch".
Foi com Allende que o Chile viu renascer a esperança de um novo mundo. Infelizmente, o país era (é ) demasiado rico em recursos para que a voracidade do imperialismo norte-americano permitisse veleidades como as privatizações do aço, do cobre, do salitre; nem sequer a consolidação de um regime democrático de inspiração social-democrata europeia (nórdica) era tolerável.
Nação com grandes tradições democráticas o Chile tem a sua História repleta de contra-revoluções e golpes sangrentos onde o poder da oligarquia se manteve sempre á tona de água.