
Na cidade onde envelheço
não há brisa
há vento
A brisa é para o amor
e para os cabelos
Na cidade onde envelheço
a roupa tem de secar
durante a noite
os operários levantam-se cedo
e o seu amor é simples
e no trabalho.
"Tudo o que seja corrupção,
O terrorismo de Estado praticado por Israel tem como factor de legitimidade o poder colonial exercido segundo os velhos ensinamentos do apartheid sul-africano e rodesiano. O estado de demência que se instalou nos gabinetes de decisão politico-militar israelense não é de molde a prever um futuro com menos barbárie e mais senso comum e lucidez política.
Augusto M. Seabra, na edição de hoje do Público, a propósito dos cinco anos decorridos do 11/09/01:
André Breton em 1950
tributo às cerca de 3.000 vitimas dos atentados ás twin towers; tributo às centenas de bombeiros, policias e voluntários nova-iorquinos vitimados pelo síndrome de WTC (à espera da morte); tributo aos milhares de civis afegãos que pereceram nos bombardeamentos norte-americanos antes e depopis da tomada de Cabul ; tributo aos mais de 250.000 iraquianos mortos desde a invasão do país e aos milhares de feridos e vitimas de tortura e sodomia (jovens particularmente) nas prisões da "nova ordem", em especial em Abu-Ghraib; tributo às centenas de palestinianos assassinados em acções "preventivas" do exército de Israel; tributo às centenas de vitimas dos atentados bombistas de Madrid e Londres; tributo aos civis israelitas vitimas de actos suicídas; tributo aos cerca de 2.000 civis libaneses chacinados pelos raids da aviação e artilharia hebraica; tributo às dezenas de jornalistas mortos em zonas de guerra; tributo às dezenas de civis massacrados em atentados na Ásia; tributo às familias iraquianas abatidas à queima roupa dentro das suas casas por soldados norte-americanos; tributo aos prisioneiros suspeitos de Guantanamo; tributo aos desertores dos exércitos ocupantes... . Honra a todos aqueles que diáriamente em todo o mundo protestam contra a demência e a barbárie da guerra e se opõem firmemente ao (re)nascimento do totalitarismo.
En estos momentos pasan los aviones. Es posible que nos acribillen. Pero que sepan que aquí estamos, por lo menos con nuestro ejemplo, que en este país hay hombres que saben cumplir con la obligación que tienen. Yo lo haré por mandato del pueblo y por mandato conciente de un Presidente que tiene la dignidad del cargo entregado por su pueblo en elecciones libres y democráticas.
Não se discute o propósito -que teve,aliás, todo o mérito- da exibição, sábado passado, no canal dois da RTP de um dos grandes filmes de Vincent Minnelli, Some Came Running / Deus Sabe Quanto Amei. O que se discute é o facto, em si ofensivo, de ter sido apresentada uma cópia que não respeitou (exceptuando na abertura e no final) o formato original, em Scope.
Volver, o novo filme de Pedro Almodóvar, tem estreia nacional marcada para 7 de Setembro. Ir apreciá-lo é, antes de mais, um acto de militância dos "adoradores" do cinema (de risco no excesso) de um cineasta singular que insiste nos seus filmes levar ao extremo os mais descarnados panoramas existenciais em quotidianos desolados. Subversivo e irónico.JD
Here's to you Nicola and Bart
Rest forever here in our hearts
The last and final moment is yours
That agony is your triumph!
Joan Baez
Lásky Jedné Plavovlásky/Loves of a blonde(1965), Milos Forman
Vivement Dimanche (1983), de François Truffaut
( La stanza del figlio, de Nanni Moretti)
(Extracto de diálogos do filme, La Stanza del Figlio (2001), de Nanni Moretti)
“Quasi emblema, in noi l’urlo della Magnani sotto le ciocche disordinatamente assolute, rinnova nelle disperate panoramiche, e nelle occhiate vive e mute si addensa il senso della tragedia. E’ lì che si dissolve e mutila/il presente, e assorda il canto degli aedi”
Godard, de novo revisitado através de Alphaville, essa parábola sobre o amor em registo de filme de aventuras e futurismo com um tal Lemmy Caution (Eddie Constantine) e um expedito computador chamado Alpha. Mas é, uma vez mais, a fotografia de Raoul Coutard -que continua belissima apesar de transcrita para suporte vídeo- que o encantamento se dá. Impossível não pensar também em Barthes.
Com o Médio Oriente de novo a mobilizar -pelas piores razões, como habitualmente- toda a atenção da comunidade internacional, anuncia-se , para 30 de Agosto, a estreia em Portugal de Paradise Now, de Hany Abu-Assad. Premiado em festivais de renome, candidato ao oscar de melhor filme estrangeiro (que perdeu devido, diz-se, a pressões hebraicas), o filme narra as últimas quarenta e oito horas de dois amigos de infância palestinianos escolhidos para um atentado bombista suícida em Israel. Elogiado pela generalidade da crítica (incluindo a israelita...) apesar do seu claro pendor controverso, Paradise Now é (mais) uma prova do poder "contra corrente" de algum cinema que, apesar de tudo, vai existindo e deixa marcas -às vezes profundas.
Everybody's worried about stopping terrorism. 

Vi pela primeira vez, One+One ou, Sympathy for the Devil –título da canção dos Rolling Stones cujo ensaio o filme acompanha- ( finalmente editado em dvd em Portugal) em Junho de 1985, numa sessão da retrospectiva integral da obra de Jean-Luc Godard promovida pela Cinemateca Portuguesa.
foto: cá-de-casa - pintura de Guati
Foto: copyright by Teo Dias 

"How do we realistically believe that a continuation of the systematic destruction of an American friend -- the country and people of Lebanon -- is going to enhance America's image and give us the trust and credibility to lead a lasting and sustained peace effort in the Middle East?"
"Our relationship with Israel is special and historic," disse, "But it need not and cannot be at the expense of our Arab and Muslim relationships. That is an irresponsible and dangerous false choice."
O Senador Hagel vem assim juntar-se aos oito senadores que, recorda-se, tiveram na semana passada a ousadia de exigir um cessar fogo imediato.
Na BBC dá-se conta de um ataque com mísseis a um camião suspeito de "transportar armas do Hezbollah" que circulava próximo da cidade de Tiro. Afinal as únicas "armas" que integravam a carga do pesado eram...couves, couves ás dezenas, espalhadas com os destroços. Não quero ser desmancha-prazeres (quem sou eu) mas Israel pode não ter contado com a mestria
transcendental de algum imã que estivesse por perto e tivesse , num ápice,praticado um milagre; o milagre da transformação de rockets e de ak-47 em couves!


Graças ás bombas e aos mísseis que espalham a morte no Líbano em particular os actos deliberados ("selectivos") de assassínio de civis , incluindo crianças, ataques a comboios humanitários e a ambulâncias, destruição calculada das infra-estruturas básicas de um país, o governo e os militares de Israel estão (conscientemente?) a dar ao Hezbollah e ao seu líder aquilo que este nunca imaginaria sonhar ser realizável um dia: uma popularidade a subir em flecha que começa a unir os povos árabes da região e colhe a admiração e o empolgamento das populações martirizadas também da Palestina ocupada.
(Revi, hoje á tarde, e pela 4ª vez -numa cópia em vhs,velhinha e em mau estado- , aquele que é, para mim, um dos mais belos filmes de Truffaut realizado com paixão e inteligência sobre o amor ao cinema... . Um filme dentro do filme, a imagem dentro da imagem -que outra forma mais poderosa de identificação emocional senão a que Truffaut nos propôs hà mais de 30 anos, quando Godard já anunciava entre dentes "a morte do cinema"?)