
Habito na morada do castigo, madura como a areia ou o verão no mar. Eu caminhei nos passos solitários. O sol neste lugar é uma ofensa. Nós nunca cultivámos a amizade num mar mesmo maléfico e maravilhoso. No triunfo da verdura, como um grito nas vozes, às vezes tristes, alegres às vezes, meu destino de morte é esquecimento eterno. Essas flores ardentes do verão ocultas, ou nas gretas ou esconderijos, palavras inventadas e selvagens, para mim, irmão, não só do sol como da lua, são para mim, já hoje, um ser de lenda, ó minha mãe, fantástica pessoa. À casa sempre o viajante há-de voltar, muito apesar da proibição eterna dos amigos da laranjeira plantada pela lua, olhar límpido aceso da alegria colar, solar que cerca a minha aldeia, pois os mortos não têm já família. Fantásticas crianças estivais, eu salvaguardo a solidão do nome, o sacrifício, perversão humana, o coração cristão da crua idade, a respiração loquaz dos vegetais, o vento do outono sobre o mar, o severo momento do crepúsculo, poder inacessível a palavras, ao dia pleno, a perfeição da vida, esse reduto último do mar. Os juízos da morte são inexoráveis nos começos da alta primavera, com a flecha dos dias desferida e a impunidade ausente, à lua. Fantásticos silêncios de verão, grande estuário para um rio em calma, aves marinhas longe em seu descanso, rosa que imita a primitiva rosa, ou pérola que segue a primitiva pérola, a excessiva operação do verão, tudo é demasiado para mim.Frescura das manhãs junto dos cais, ó simples criaturas migratórias, ó pequenas estrelas de dezembro. Silêncio tudo e todos: fala-se de mim.
Ruy Belo












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