Com o Médio Oriente de novo a mobilizar -pelas piores razões, como habitualmente- toda a atenção da comunidade internacional, anuncia-se , para 30 de Agosto, a estreia em Portugal de Paradise Now, de Hany Abu-Assad. Premiado em festivais de renome, candidato ao oscar de melhor filme estrangeiro (que perdeu devido, diz-se, a pressões hebraicas), o filme narra as últimas quarenta e oito horas de dois amigos de infância palestinianos escolhidos para um atentado bombista suícida em Israel. Elogiado pela generalidade da crítica (incluindo a israelita...) apesar do seu claro pendor controverso, Paradise Now é (mais) uma prova do poder "contra corrente" de algum cinema que, apesar de tudo, vai existindo e deixa marcas -às vezes profundas.
quarta-feira, agosto 16, 2006
causa das coisas
Com o Médio Oriente de novo a mobilizar -pelas piores razões, como habitualmente- toda a atenção da comunidade internacional, anuncia-se , para 30 de Agosto, a estreia em Portugal de Paradise Now, de Hany Abu-Assad. Premiado em festivais de renome, candidato ao oscar de melhor filme estrangeiro (que perdeu devido, diz-se, a pressões hebraicas), o filme narra as últimas quarenta e oito horas de dois amigos de infância palestinianos escolhidos para um atentado bombista suícida em Israel. Elogiado pela generalidade da crítica (incluindo a israelita...) apesar do seu claro pendor controverso, Paradise Now é (mais) uma prova do poder "contra corrente" de algum cinema que, apesar de tudo, vai existindo e deixa marcas -às vezes profundas.
terça-feira, agosto 15, 2006
lucidez
Everybody's worried about stopping terrorism. Well, there's a really easy way: stop participating in it.
Noam Chomsky
segunda-feira, agosto 14, 2006
palavras de o'neill (2)

A meu favor
Tenho o verde secreto dos teus olhos
Algumas palavras de ódio algumas palavras de amor
O tapete que vai partir para o infinito
Esta noite ou uma noite qualquer
A meu favor
As paredes que insultam devagar
Certo refúgio acima do murmúrio
Que da vida corrente teime em vir
O barco escondido pela folhagem
O jardim onde a aventura recomeça.
Alexandre O'Neill
in Poesias Completas, 1951-1986
in Poesias Completas, 1951-1986
(Assírio & Alvim, Lisboa, 2000 )
domingo, agosto 13, 2006
palavras de o'neill
Gaivota
Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.
Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.
Se um português marinheiro,
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.
Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.
Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu,
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.
Que perfeito coração
no meu peito morreria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.
Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.
Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.
Se um português marinheiro,
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.
Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.
Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu,
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.
Que perfeito coração
no meu peito morreria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.
Alexandre O'Neill
sábado, agosto 12, 2006
paixão ao cinema

Tinha 16 anos quando tive o meu primeiro contacto com o cinema de Godard: A Bout de Souffle, que vi numa sessão clássica, exerceu um fascínio em mim tão grande que tive de o rever, uma , duas, três vezes sempre com a sensação de alguém que procura algo mais do que o mero desejo e sedução. De certa maneira, os filmes de Godard tiveram o mérito de orientar a formação do meu gosto pelo cinema. Claro que Truffaut, Chabrol, Melville eram outros “mestres” europeus que permaneciam também centrais nos meus apetites, mas Godard era aquele, maior entre os maiores, que exercia em mim um fascínio invulgar; era aquele a quem eu devia reconhecimento e “fidelidade”; aquele a que se recorre sempre quer se esteja “bem” ou na “fossa”; aquele a quem nunca se recusa atender à chamada -como ocorre em todas as boas amizades.
Se falo como falo de Godard é porque o peso dos seus filmes foi responsável pelo amor que eu guardo ao cinema, não apenas por ter ganho esse amor mas sobretudo por ter sabido conservar essa capacidade em (o) amar.
Tudo isto pode parecer excessivo mas, então, porque haveria de o não ser ou ter de ser de outra maneira?
Se falo como falo de Godard é porque o peso dos seus filmes foi responsável pelo amor que eu guardo ao cinema, não apenas por ter ganho esse amor mas sobretudo por ter sabido conservar essa capacidade em (o) amar.
Tudo isto pode parecer excessivo mas, então, porque haveria de o não ser ou ter de ser de outra maneira?
sexta-feira, agosto 11, 2006
godard+stones
Vi pela primeira vez, One+One ou, Sympathy for the Devil –título da canção dos Rolling Stones cujo ensaio o filme acompanha- ( finalmente editado em dvd em Portugal) em Junho de 1985, numa sessão da retrospectiva integral da obra de Jean-Luc Godard promovida pela Cinemateca Portuguesa.Sendo um dos (muitos) filmes de Godard deixados na penumbra pelos distribuidores e exibidores a expectativa era justificável pelo facto simples de ter os Stones como protagonistas. Rodado em Inglaterra em 1968 -um ano depois de Made in USA, Week-End e La Chinoise (nunca estreado comercialmente em Portugal, tal como Deux ou Trois Choses Que Je Sais d’Elle, …Enfants Prodigues e Loin du Vietnam)- One+One aparentava, à primeira vista, tratar-se de um mero acto singular por parte de Godard: homenagear o mundo musical e cultural do rock’n roll.
Todavia, a presença da formação liderada por Mick Jagger servia, antes, como um detonador aos propósitos de Godard para sublimar o simbolismo dos acontecimentos políticos (Maio 68, contestação estudantil nos EUA contra a guerra na Indochina, a luta do movimento negro…) que faziam estremecer as democracias liberais, questionar o “poder da burguesia” e colocar a Revolução na ordem do dia. Os Rolling Stones eram, de certo modo, a personificação por excelência da contestação e da ideia revolucionária da mudança.
Trinta e oito anos depois, mesmo não sendo de forma alguma uma obra de referência obrigatória na filmografia de Godard, One+One / Sympathy For the Devil mantém-se um documento contemporâneo de reflexão para os tempos que correm.
Não me parece de todo abusivo se disser que One+One fez mais pelos Stones do que, muito provalmente, duas temporadas de concertos.
Não me parece de todo abusivo se disser que One+One fez mais pelos Stones do que, muito provalmente, duas temporadas de concertos.
quinta-feira, agosto 10, 2006
estratégia da aranha

Prossegue, em quarta semana, a agressão ao Estado do Líbano.
Anteontem no noticiário da noite da sic o comentário off da jornalista às imagens de destruição de uma casa em Haifa: "Hezbollah atacou sem perdão...(sic!)".Não estando em causa saber se os "castigos" infligidos de parte a parte são medidos por maior ou menor propósito "imperdoável" , não me lembro de ter ouvido antes classificar com idêntico enfâse (e não menos "isenção") os efeitos dos bombardeamentos "cirúrgicos" da aviação hebraica .Pelos vistos,"Sem perdão" é, fica-se a saber agora, um exclusivo do "Partido de Deus". Nem seria de esperar outra coisa.
Israel precisa de mais 30 dias...de guerra.Quem o diz é um alto responsável militar do IDF. Isto quer dizer que, decorrido quase um mês de guerra é o mesmo já considerado como sendo insuficiente por Telavive. A média diária de 400 bombas lançadas desde meados de Julho sobre cidades libanesas não colheu ainda o fruto desejado. Isto também quer dizer que o "engôdo"libanês não está a surtir o efeito pretendido junto do inimigo real , a República Islâmica do Irão que tarda em reagir à "provocação". Não há problema: em Gaza e na Cisjordânea,continua-se diariamente a praticar, com toda a impunidade, o mais descarado dos abusos de Estado, -para ser suave- que tem incluído o assassinato de inocentes, raptos de parlamentares e de membros do governo e a destruição calculada das infra-estruturas básicas (água, electricidade...) da população palestiniana.
Para os incrédulos, o crime ecológico no Mediterrâneo praticado na sequência do bombardeamento de uma refinaria a norte do Líbano mostra até que ponto Israel está empenhado, com autenticidade, na destruição das "infra-estruturas" do Hezbollah.
A generalidade da imprensa continua a ignorar a existência do apelo anti-guerra do Líbano encabeçado por Noam Chomsky e subscrito por quase duas vintenas de outras personalidades cujos nomes a seguir se indicam: Tariq Ali, Mona Abaza, Matthew Abraham, Gilbert Achcar, Etel Adnan, Aziz el-Azmeh, Nadia Baghdadi, John Berger, Timothy Andres Brennan, Michaelle Browers, Alexander Cockburn, Dan Connell, Mahmoud Darwish, Richard Falk, Eduardo Galeano, Irene Gendzier, Charles Glass, Yassin al Haj Saleh, Assaf Kfoury, Elias Khouri, Ytzhak Laor, Ken Loach, Jennifer Loewenstein, Karma Nabulsi, John Pilger, Harold Pinter, Richard Powers, Tanya Reinhart, Eric Rouleau, Arundhati Roy, Sandra Shattuck, William Thelin, Gore Vidal, Howard Zinn, Stephen Zunes
"qu'est ce que c'est"
quarta-feira, agosto 09, 2006
felinos
foto: cá-de-casa - pintura de Guati Mais les chats sont habitués à leur coin et il est dificile
de les habituer à un nouveau coin.
Pour ceux-lá l'art n'est pas du tout nécessaire.
Pourvu seulement que soint peints leur grand-mère ou les petites
coins aimés des bosquets de lilas.
K.Malévitch,
in L'Art du Sauvage et Ses Principes
terça-feira, agosto 08, 2006
palavras de ferré (2)
Tu ne dis jamais rien
Je vois le monde un peu comme on voit l'incroyable
L'incroyable c'est ça c'est ce qu'on ne voit pas
Des fleurs dans des crayons Debussy sur le sable
A Saint-Aubin-sur-Mer que je ne connais pas
Les filles dans du fer au fond de l'habitude
Et des mineurs creusant dans leur ventre tout chaud
Des soutiens-gorge aux chats des patrons dans le Sud
A marner pour les ouvriers de chez Renault
Moi je vis donc ailleurs dans la dimension quatre
Avec la Bande dessinée chez mc 2
Je suis Demain je suis le chêne et je suis l'âtre
Viens chez moi mon amour viens chez moi y a du feu
Je vole pour la peau sur l'aire des misères
Je suis un vieux Bœing de l'an quatre-vingt-neuf
Je pars la fleur aux dents pour la dernière guerre
Ma machine à écrire a un complet tout neuf
Je vois la stéréo dans l'œil d'une petite
Des pianos sur des ventres de fille à Paris
Un chimpanzé glacé qui chante ma musique
Avec moi doucement et toi tu n'as rien dit
Tu ne dis jamais rien tu ne dis jamais rien
Tu pleures quelquefois comme pleurent les bêtes
Sans savoir le pourquoi et qui ne disent rien
Comme toi, l'œil ailleurs, à me faire la fête
Dans ton ventre désert je vois des multitudes
Je suis Demain C'est Toi mon demain de ma vie
Je vois des fiancés perdus qui se dénudent
Au velours de ta voix qui passe sur la nuit
Je vois des odeurs tièdes sur des pavés de songe
A Paris quand je suis allongé dans son lit
A voir passer sur moi des filles et des éponges
Qui sanglotent du suc de l'âge de folie
Moi je vis donc ailleurs dans la dimension ixe
Avec la bande dessinée chez un ami
Je suis Jamais je suis Toujours et je suis l'Ixe
De la formule de l'amour et de l'ennui
Je vois des tramways bleus sur des rails d'enfants tristes
Des paravents chinois devant le vent du nord
Des objets sans objet des fenêtres d'artistes
D'où sortent le soleil le génie et la mort
Attends, je vois tout près une étoile orpheline
Qui vient dans ta maison pour te parler de moi
Je la connais depuis longtemps c'est ma voisine
Mais sa lumière est illusoire comme moi
Et tu ne me dis rien tu ne dis jamais rien
Mais tu luis dans mon cœur comme luit cette étoile
Avec ses feux perdus dans des lointains chemins
Tu ne dis jamais rien comme font les étoiles
Je vois le monde un peu comme on voit l'incroyable
L'incroyable c'est ça c'est ce qu'on ne voit pas
Des fleurs dans des crayons Debussy sur le sable
A Saint-Aubin-sur-Mer que je ne connais pas
Les filles dans du fer au fond de l'habitude
Et des mineurs creusant dans leur ventre tout chaud
Des soutiens-gorge aux chats des patrons dans le Sud
A marner pour les ouvriers de chez Renault
Moi je vis donc ailleurs dans la dimension quatre
Avec la Bande dessinée chez mc 2
Je suis Demain je suis le chêne et je suis l'âtre
Viens chez moi mon amour viens chez moi y a du feu
Je vole pour la peau sur l'aire des misères
Je suis un vieux Bœing de l'an quatre-vingt-neuf
Je pars la fleur aux dents pour la dernière guerre
Ma machine à écrire a un complet tout neuf
Je vois la stéréo dans l'œil d'une petite
Des pianos sur des ventres de fille à Paris
Un chimpanzé glacé qui chante ma musique
Avec moi doucement et toi tu n'as rien dit
Tu ne dis jamais rien tu ne dis jamais rien
Tu pleures quelquefois comme pleurent les bêtes
Sans savoir le pourquoi et qui ne disent rien
Comme toi, l'œil ailleurs, à me faire la fête
Dans ton ventre désert je vois des multitudes
Je suis Demain C'est Toi mon demain de ma vie
Je vois des fiancés perdus qui se dénudent
Au velours de ta voix qui passe sur la nuit
Je vois des odeurs tièdes sur des pavés de songe
A Paris quand je suis allongé dans son lit
A voir passer sur moi des filles et des éponges
Qui sanglotent du suc de l'âge de folie
Moi je vis donc ailleurs dans la dimension ixe
Avec la bande dessinée chez un ami
Je suis Jamais je suis Toujours et je suis l'Ixe
De la formule de l'amour et de l'ennui
Je vois des tramways bleus sur des rails d'enfants tristes
Des paravents chinois devant le vent du nord
Des objets sans objet des fenêtres d'artistes
D'où sortent le soleil le génie et la mort
Attends, je vois tout près une étoile orpheline
Qui vient dans ta maison pour te parler de moi
Je la connais depuis longtemps c'est ma voisine
Mais sa lumière est illusoire comme moi
Et tu ne me dis rien tu ne dis jamais rien
Mais tu luis dans mon cœur comme luit cette étoile
Avec ses feux perdus dans des lointains chemins
Tu ne dis jamais rien comme font les étoiles
Leo Ferré
segunda-feira, agosto 07, 2006
à vista do mar
as ondas vêm até mim e morrem antes
de tocarem os meus pés, antes
que eu te diga, olhos nos olhos, a palavra mágica
que ficou a tarde toda a pairar na imensidão do areal:
ternura
Caminha
o lugar dos impossíveis
domingo, agosto 06, 2006
vida
sexta-feira, agosto 04, 2006
palavras de antero de quental
Foto: copyright by Teo Dias Nuvens da Tarde
Aquelas nuvens, que voam,
Ninguém pode pôr-lhes mão...
São como as horas que soam,
E as aves, que em bando vão...
Como a folha desprendida,
E como os sonhos da vida,
Aquelas nuvens que voam...
Ninguém pode pôr-lhes mão...
São como as horas que soam,
E as aves, que em bando vão...
Como a folha desprendida,
E como os sonhos da vida,
Aquelas nuvens que voam...
Às vezes o sol, que as doura,
Parece à glória levá-las
Mas surge o vento e, numa hora,
Já ninguém pode avistá-las!
É um convite enganoso,
Um escárnio luminoso,
Às vezes, o sol que as doura!
Parece à glória levá-las
Mas surge o vento e, numa hora,
Já ninguém pode avistá-las!
É um convite enganoso,
Um escárnio luminoso,
Às vezes, o sol que as doura!
Tantos castelos caídos!
Tantas visôes dissipadas!
Gigantes, heróis perdidos,
Que mal sustêm as espadas!
Faz pena ver, lá do monte,
Nas ruínas do horizonte,
Tantos castelos caídos!
Tantas visôes dissipadas!
Gigantes, heróis perdidos,
Que mal sustêm as espadas!
Faz pena ver, lá do monte,
Nas ruínas do horizonte,
Tantos castelos caídos!
E as donzelas lastimosas,
Que vão fugindo transidas!
Quem fogem elas ansiosas?
Que buscam elas perdidas?
Ó romances fugidios!
Vejo os tiranos sombrios,
E as donzelas lastimosas!
Que vão fugindo transidas!
Quem fogem elas ansiosas?
Que buscam elas perdidas?
Ó romances fugidios!
Vejo os tiranos sombrios,
E as donzelas lastimosas!
Aquelas nuvens que vemos,
Esses poemas aéreos,
São os sonhos que nós temos,
Nossos intímos mistérios!
São espelhos flutuantes
Das nossas dores constantes
Aquelas nuvens que vemos...
Esses poemas aéreos,
São os sonhos que nós temos,
Nossos intímos mistérios!
São espelhos flutuantes
Das nossas dores constantes
Aquelas nuvens que vemos...
Nossa alma vai-se com elas,
À procura, quem o sabe?
Doutras esferas mais belas,
Já que no mundo não cabe...
Voando, sem dar um grito,
Através desse infinito,
Nossa alma vai-se com elas!
À procura, quem o sabe?
Doutras esferas mais belas,
Já que no mundo não cabe...
Voando, sem dar um grito,
Através desse infinito,
Nossa alma vai-se com elas!
Antero de Quental
( in Primaveras Românticas, colares editora)
quinta-feira, agosto 03, 2006
festa cinéfila

Prossegue no cinema King, até 23 de Agosto, a selecção cuidada
de filmes estreados na temporada passada.
Há muito por onde escolher: dos independentes americanos ao
moderno cinema asiático, passando pelas cinematografias europeias
(com destaque para a portuguesa) e o documentarismo
-a programação contempla também o clássico de Visconti, Il Gattopardo.
Todos os filmes são, obviamente, imperdíveis.
Calendário de sessões e horários disponíveis em (www.medeiafilmes.pt/noticias/noticias.htm)
Calendário de sessões e horários disponíveis em (www.medeiafilmes.pt/noticias/noticias.htm)
palavras de ferré

L'oppression
by Léo Ferré
by Léo Ferré
Ces mains bonnes à tout même à tenir des armes
Dans ces rues que les hommes ont tracées pour ton bien
Ces rivages perdus vers lesquels tu t'acharnes
Où tu veux aborder
Et pour t'en empêcher
Les mains de l'oppression
Regarde-la gémir sur la gueule des gens
Avec les yeux fardés d'horaires et de rêves
Regarde-là se taire aux gorges du printemps
Avec les mains trahies par la faim qui se lève
Ces yeux qui te regardent et la nuit et le jour
Et que l'on dit braqués sur les chiffres et la haine
Ces choses "défendues" vers lesquelles tu te traînes
Et qui seront à toi
Lorsque tu fermeras
Les yeux de l'oppression
Regarde-la pointer son sourire indécent
Sur la censure apprise et qui va à la messe
Regarde-la jouir dans ce jouet d'enfant
Et qui tue des fantômes en perdant ta jeunesse
Ces lois qui t'embarrassent au point de les nier
Dans les couloirs glacés de la nuit conseillère
Et l'Amour qui se lève à l'Université
Et qui t'envahira
Lorsque tu casseras
Les lois de l'oppression
Regarde-la flâner dans l'œil de tes copains
Sous le couvert joyeux de soleils fraternels
Regarde-la glisser peu à peu dans leurs mains
Qui formerons des poings
Dès qu'ils auront atteint
L'âge de l'oppression
Ces yeux qui te regardent et la nuit et le jour
Et que l'on dit braqués sur les chiffres et la haine
Ces choses "défendues" vers lesquelles tu te traînes
Et qui seront à toi
Lorsque tu fermeras
Les yeux de l'oppression
Dans ces rues que les hommes ont tracées pour ton bien
Ces rivages perdus vers lesquels tu t'acharnes
Où tu veux aborder
Et pour t'en empêcher
Les mains de l'oppression
Regarde-la gémir sur la gueule des gens
Avec les yeux fardés d'horaires et de rêves
Regarde-là se taire aux gorges du printemps
Avec les mains trahies par la faim qui se lève
Ces yeux qui te regardent et la nuit et le jour
Et que l'on dit braqués sur les chiffres et la haine
Ces choses "défendues" vers lesquelles tu te traînes
Et qui seront à toi
Lorsque tu fermeras
Les yeux de l'oppression
Regarde-la pointer son sourire indécent
Sur la censure apprise et qui va à la messe
Regarde-la jouir dans ce jouet d'enfant
Et qui tue des fantômes en perdant ta jeunesse
Ces lois qui t'embarrassent au point de les nier
Dans les couloirs glacés de la nuit conseillère
Et l'Amour qui se lève à l'Université
Et qui t'envahira
Lorsque tu casseras
Les lois de l'oppression
Regarde-la flâner dans l'œil de tes copains
Sous le couvert joyeux de soleils fraternels
Regarde-la glisser peu à peu dans leurs mains
Qui formerons des poings
Dès qu'ils auront atteint
L'âge de l'oppression
Ces yeux qui te regardent et la nuit et le jour
Et que l'on dit braqués sur les chiffres et la haine
Ces choses "défendues" vers lesquelles tu te traînes
Et qui seront à toi
Lorsque tu fermeras
Les yeux de l'oppression
palavras de sophia
Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.
Sophia de Mello Breyner Andresen
( in No Tempo Dividido e Mar Novo”, Edições Salamandra, 1985, p. 79 )
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.
Sophia de Mello Breyner Andresen
( in No Tempo Dividido e Mar Novo”, Edições Salamandra, 1985, p. 79 )
quarta-feira, agosto 02, 2006
trabalho de casa (2)
Nos últimos dias o governo israelita não tem feito outra coisa senão repetir incessantemente a justificação oficial em nome da qual o Estado hebraico iníciou o brutal ataque ao Líbano: o rapto de dois militares da IDF "em território de Israel" por militantes do Hezbollah.
Porém a verdade dos factos (relatada pelas agências de informação) falam outra linguagem bem diferente daquela que a dado momento passou a ser mais conveniente a Telavive. Não subsistem dúvidas de que o envio da patrulha para território libanês fazia parte da estratégia ( tal como em Junho de 96) de "provocar" uma reacção do Hezbollah e com isso dar por adquiridas as motivações para a brutalidade desproporcionada que se seguiu.
Acresce referir que, este episódio nada teve de diferente do ocorrido em 10 Junho 1996 no sul do Líbano quando guerrilheiros do movimento Hezbollah interceptaram uma patrulha de soldados israelitas provocando cinco mortos. A resposta de Israel foi o que se sabe....
(ver www.cnn.com/.../9606/10/israel.attack/index.html)
Atente-se, pois, no artigo de Joshua Frank, que a seguir se transcreve, sem mais comentários. Para reflexão.... .
Kidnapped in Israel or Captured in Lebanon?
Official justification for Israel's invasion on thin ice
by Joshua Frank ( July 25, 2006, www.antiwar.com/frank/)
As Lebanon continues to be pounded by Israeli bombs and munitions, the justification for Israel's invasion is treading on very thin ice. It has become general knowledge that it was Hezbollah guerillas that first kidnapped two IDF soldiers inside Israel on July 12, prompting an immediate and violent response from the Israeli government, which insists it is acting in the interest of national defense. Israeli forces have gone on to kill over 370 innocent Lebanese civilians (compared to 34 killed on Israel's side) while displacing hundreds of thousands more. But numerous reports from international and independent media, as well as the Associated Press, raise questions about Israel's official version of the events that sparked the conflict two weeks ago.
The original story, as most media tell it, goes something like this: Hezbollah attacked an Israeli border patrol station, killing six and taking two soldiers hostage. The incident happened on the Lebanese/Israel border in Israeli territory. The alternate version, as explained by several news outlets, tells a bit of a different tale: These sources contend that Israel sent a commando force into southern Lebanon and was subsequently attacked by Hezbollah near the village of Aitaa al-Chaab, well inside Lebanon's southern territory. It was at this point that an Israel tank was struck by Hezbollah fighters, which resulted in the capture of two Israeli soldiers and the death of six.
As the AFP reported, "According to the Lebanese police force, the two Israeli soldiers were captured in Lebanese territory, in the area of Aitaa al-Chaab, near to the border with Israel, where an Israeli unit had penetrated in middle of morning." And the French news site www.VoltaireNet.org reiterated the same account on June 18, "In a deliberated way, [Israel] sent a commando in the Lebanese back-country to Aitaa al-Chaab. It was attacked by Hezbollah, taking two prisoners."
The Associated Press departed from the official version as well. "The militant group Hezbollah captured two Israeli soldiers during clashes Wednesday across the border in southern Lebanon, prompting a swift reaction from Israel, which sent ground forces into its neighbor to look for them," reported Joseph Panossian for AP on July 12. "The forces were trying to keep the soldiers' captors from moving them deeper into Lebanon, Israeli government officials said on condition of anonymity."
And the Hindustan Times on July 12 conveyed a similar account:
"The Lebanese Shi'ite Hezbollah movement announced on Wednesday that its guerrillas have captured two Israeli soldiers in southern Lebanon. 'Implementing our promise to free Arab prisoners in Israeli jails, our strugglers have captured two Israeli soldiers in southern Lebanon,' a statement by Hezbollah said. 'The two soldiers have already been moved to a safe place,' it added. The Lebanese police said that the two soldiers were captured as they 'infiltrated' into the town of Aitaa al-Chaab inside the Lebanese border."
Whether factual or not, these alternative accounts should at the very least raise serious questions as to Israel's motives and rationale for bombarding Lebanon.
MSNBC online first reported that Hezbollah had captured Israeli soldiers "inside" Lebanon, only to change their story hours later after the Israeli government gave an official statement to the contrary.
A report from The National Council of Arab Americans, based in Lebanon, also raised suspicion that Israel's official story did not hold water and noted that Israel had yet to recover the tank that was demolished during the initial attack in question.
"The Israelis so far have not been able to enter Aitaa al-Chaab to recover the tank that was exploded by Hezbollah and the bodies of the soldiers that were killed in the original operation (this is a main indication that the operation did take place on Lebanese soil, not that in my opinion it would ever be an illegitimate operation, but still the media has been saying that it was inside 'Israel' thus an aggression first started by Hezbollah)."
Before independent observers could organize an investigation of the incident, Israel had already mounted a grisly offensive against Lebanese infrastructure and civilians, bombing Beirut's international airport, along with numerous highways and communication portals. Israel didn't need the truth of the matter to play out before it invaded Lebanon. As with the United States' illegitimate invasion of Iraq, Israel just needed the proper media cover to wage a war with no genuine moral impetus
Porém a verdade dos factos (relatada pelas agências de informação) falam outra linguagem bem diferente daquela que a dado momento passou a ser mais conveniente a Telavive. Não subsistem dúvidas de que o envio da patrulha para território libanês fazia parte da estratégia ( tal como em Junho de 96) de "provocar" uma reacção do Hezbollah e com isso dar por adquiridas as motivações para a brutalidade desproporcionada que se seguiu.
Acresce referir que, este episódio nada teve de diferente do ocorrido em 10 Junho 1996 no sul do Líbano quando guerrilheiros do movimento Hezbollah interceptaram uma patrulha de soldados israelitas provocando cinco mortos. A resposta de Israel foi o que se sabe....
(ver www.cnn.com/.../9606/10/israel.attack/index.html)
Atente-se, pois, no artigo de Joshua Frank, que a seguir se transcreve, sem mais comentários. Para reflexão.... .
Kidnapped in Israel or Captured in Lebanon?
Official justification for Israel's invasion on thin ice
by Joshua Frank ( July 25, 2006, www.antiwar.com/frank/)
As Lebanon continues to be pounded by Israeli bombs and munitions, the justification for Israel's invasion is treading on very thin ice. It has become general knowledge that it was Hezbollah guerillas that first kidnapped two IDF soldiers inside Israel on July 12, prompting an immediate and violent response from the Israeli government, which insists it is acting in the interest of national defense. Israeli forces have gone on to kill over 370 innocent Lebanese civilians (compared to 34 killed on Israel's side) while displacing hundreds of thousands more. But numerous reports from international and independent media, as well as the Associated Press, raise questions about Israel's official version of the events that sparked the conflict two weeks ago.
The original story, as most media tell it, goes something like this: Hezbollah attacked an Israeli border patrol station, killing six and taking two soldiers hostage. The incident happened on the Lebanese/Israel border in Israeli territory. The alternate version, as explained by several news outlets, tells a bit of a different tale: These sources contend that Israel sent a commando force into southern Lebanon and was subsequently attacked by Hezbollah near the village of Aitaa al-Chaab, well inside Lebanon's southern territory. It was at this point that an Israel tank was struck by Hezbollah fighters, which resulted in the capture of two Israeli soldiers and the death of six.
As the AFP reported, "According to the Lebanese police force, the two Israeli soldiers were captured in Lebanese territory, in the area of Aitaa al-Chaab, near to the border with Israel, where an Israeli unit had penetrated in middle of morning." And the French news site www.VoltaireNet.org reiterated the same account on June 18, "In a deliberated way, [Israel] sent a commando in the Lebanese back-country to Aitaa al-Chaab. It was attacked by Hezbollah, taking two prisoners."
The Associated Press departed from the official version as well. "The militant group Hezbollah captured two Israeli soldiers during clashes Wednesday across the border in southern Lebanon, prompting a swift reaction from Israel, which sent ground forces into its neighbor to look for them," reported Joseph Panossian for AP on July 12. "The forces were trying to keep the soldiers' captors from moving them deeper into Lebanon, Israeli government officials said on condition of anonymity."
And the Hindustan Times on July 12 conveyed a similar account:
"The Lebanese Shi'ite Hezbollah movement announced on Wednesday that its guerrillas have captured two Israeli soldiers in southern Lebanon. 'Implementing our promise to free Arab prisoners in Israeli jails, our strugglers have captured two Israeli soldiers in southern Lebanon,' a statement by Hezbollah said. 'The two soldiers have already been moved to a safe place,' it added. The Lebanese police said that the two soldiers were captured as they 'infiltrated' into the town of Aitaa al-Chaab inside the Lebanese border."
Whether factual or not, these alternative accounts should at the very least raise serious questions as to Israel's motives and rationale for bombarding Lebanon.
MSNBC online first reported that Hezbollah had captured Israeli soldiers "inside" Lebanon, only to change their story hours later after the Israeli government gave an official statement to the contrary.
A report from The National Council of Arab Americans, based in Lebanon, also raised suspicion that Israel's official story did not hold water and noted that Israel had yet to recover the tank that was demolished during the initial attack in question.
"The Israelis so far have not been able to enter Aitaa al-Chaab to recover the tank that was exploded by Hezbollah and the bodies of the soldiers that were killed in the original operation (this is a main indication that the operation did take place on Lebanese soil, not that in my opinion it would ever be an illegitimate operation, but still the media has been saying that it was inside 'Israel' thus an aggression first started by Hezbollah)."
Before independent observers could organize an investigation of the incident, Israel had already mounted a grisly offensive against Lebanese infrastructure and civilians, bombing Beirut's international airport, along with numerous highways and communication portals. Israel didn't need the truth of the matter to play out before it invaded Lebanon. As with the United States' illegitimate invasion of Iraq, Israel just needed the proper media cover to wage a war with no genuine moral impetus
chauvinismo
The dangerous patriot: "The one who drifts into chauvinism and exhibits blind enthusiasm for military actions. He is a defender of militarism and its ideals of war and glory. Chauvinism is a proud and bellicose form of patriotism . . . which identifies numerous enemies who can only be dealt with through military power and which equates the national honor with military victory."
Marine Corps, Colonel James A. Donovan
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