sexta-feira, julho 21, 2006

a festa da guerra (2): a ditadura da minoria


Estados Unidos, Grã-Bretanha, Israel: The show must go on!

quinta-feira, julho 20, 2006

a festa da guerra (1)

(foto:AP/ CBS)

Pouco importa se Israel e os Estados Unidos estão mais uma vez a trabalhar em conjunto para cumprirem , ou tentarem cumprir, a "agenda" política que ficou desenhada a seguir não aos acontecimentos do 11 de Setembro de 2001 -como muito boa gente pensa- mas nas vésperas das eleições norte-americanas que deram a vitória a George W. Bush -"como se esperava", de resto.
Pouco importa também que o modelo engendrado (e a ser implementado) por essas duas nações para a região do Médio Oriente tenha em vista um plano (militar) ousado de"alargamento" (para não dizer, expansionismo) gradual do território actual do Estado de Israel, com uma Palestina transformada em " Nação acantonada" no seio da "Grande Israel" que será então deus e senhor na região.
O que importa verdadeiramente é saber quantos milhares de vidas de civis inocentes (já programados friamente) vão ser necessários para que o sonho sionista avance mais uma casas (como nos jogos...) e seja uma realidade.
Os últimos acontecimentos , -que vão desde a invasão de Gaza, aparentemente em perseguição dos líderes do Hamas e se estenderam num ápice ao Sul do Líbano, dominada pela organização xiita do Hezbollah- têm como pretexto a captura de soldados do exército hebraico mas a utilização desproporcionada de meios militares e a escolha de alvos a a bater mostar como Israel está empenhada em trazer à contenda a Síria e o Irão as duas nações árabes alinhadas num "eixo do mal" (Bush dixit) que representam os maiores empecilhos aos propósitos imperiais de Telavive-Washington desde a tragédia das Twin Towers em New York.
A escalada no Líbano é a prova mais evidente do desespero do governo israelita na solução da questão palestiniana. Bombardear o Norte do país do Cedro, antiga Suiça do Médio Oriente,onde não existem xiitas nem sombra do movimento radical Hezbollah é assumir na prática intenções outras meramente destruitivas da maioria das infra-estruturas básicas do Líbano. Porquê? Israel não desdenharia ter poder (que não teve em 1982) para criar outro Líbano, um Líbano "democratizado" que servisse os intentos sionistas.
Nem os libaneses, nem os palestinianos e muito menos os milhares de israelitas que se opõem cada vez mais a estas festas sangrentas promovidas pelo governo e os militares aceitam de animo leve mais esta manifestação do mal.
Quando agentes os serviços de informação e soldados de forças especiais israelitas trabalham desde a primeira hora no Iraque então tudo é possível!
Seja qual for a evolução da escalada em curso (no Libano, na Palestina) uma coisa temos de ter já em conta: é o prazer da destruição, destruição de bens e de pessoas que estamos assistindo diariamente como quem consome Frize limão ou bebe coca cola com hamburguer.
Tudo coisas perfeitamente dignas da civilização (cruel) ocidental.

quarta-feira, julho 19, 2006

esperança


A esperança tem duas filhas: raiva e coragem
raiva pelo estado das coisas, coragem para as mudar
Santo Agostinho

terça-feira, julho 18, 2006

dizem que morreste





Meu Querido Amigo,
Isto não é fácil de explicar. Andámos estes ultimos dezoito anos a vermo-nos por acaso como se vivessemos os dois em terras distantes, sem tempo para nos aturarmos um ao outro pior, sem vontade de forçar a clausura em que se foi caindo (eu mais do que tu, reconheço-o) à conta da sacana da rotina que cansa-mata, da apatia e da renúncia que se foram instalando laboriosamente apesar da resistência, aqui e acolá. Não era fácil, Miguel, fazer de conta, ignorar (sei lá) que o teu olá estás bom, seguido de, ainda estás a aturar os gajos da FNAT? e, o rematar, não queres ir lá a casa, queria dizer 'bora beber uns copos, partilhar um joint, sonhar-fazer-um-filme, ler páginas do teu próximo livro... Que tinha eu para dar, senão desculpas (algumas sem lógica) para tudo ficar para outro dia? Oportunidade? Disponibilidade? Cansaço? Foda-se!
Sempre amámos e sempre tivémos o cérebro com as mesmas imagens!
Isto não é fácil de (me) explicar. Como sabes, sempre fui um pouquinho dessarrumado aqui no lado esquerdo do peito, por razões que conheces , mas nunca me esqueci do amigo-amigo, daquele com quem se partilhou momentos profundos, daquele que esteve a nosso lado nos combates que foi preciso travar, daquele que foi recíproco, leal, afectivo. Nunca esqueci aquele verão de 77 na Ponte de Sôr de projectores de filme às costas a mostrarmos cinema português em dez localidades onde cada sessão nocturna era antecedida de festa á entrada das vilas, lembras-te?; dos miúdos correrem alegres atrás (e ao lado) do velho renault da Junta Central das Casas do Povo, das dezenas de braços no ar a voluntariarem-se para ajudar a carregar as bobines e a máquina, dos comentários, das palmas e dos assobios enquanto a fita corria na tela.
Lembro-me duma noite teres aparecido na residencial com a roupa a fumegar e a cheirar a madeira queimada porque tinhas ido ajudar apagar um incêndio próximo do celeiro onde exibias o pai tirano?. Lembro-me bem de nos deliciarmos nas tardes encaloradas com a leitura, lembro-me que foste tu que me ofereceste, no meu aniversário, o cem anos de solidão, em formato bolso da europa-américa comprado no café central e lembro-me que foi por esses dias que a ideia de fazermos a adaptação do refúgio perdido do Soeiro ganhou forma... .
É tanto aquilo que de ti para mim passou que me dói o tempo que não tivemos (não soubémos) para ter ainda tanto mais . Olho a paisagem instalada fora da minha janela e oiço sons, palavras, risos, gestos do que serias.Isto não está a ser fácil. Não, porque desejaria ter-te dito o quanto gostei, -mais do que aquilo que te disse um dia-, do teu Além Maar (que visualizei em filme, como tu havias visualizado também) que me deste o privilégio de ir lendo à medida que o ias escrevendo, anos antes de a Ler te atribuir o prémio e esse facto ter deixado muita (alguma boa...) gente estupefacta e também possessa, coitados.
Isto não é fácil, Miguel. A nossa ultima conversa, no jantar de aniversário do Jorge, ficou a pairar...
E chega, porque ainda não consegui encaixar que morreste. Para mim continuas vivo!
Um forte abraço, Miguel

segunda-feira, julho 17, 2006

de novo Godard


Quelque chose dans le corps et dans la tête s'arc-boute contre la répétition et le néant. La vie, geste plus rapide, um bras qui retombe à contretemps, un pas plus lent, une bouffée d'irregularité, un faux mouvement. Tout ce par quoi dans ce dérisoire carré de résistance contre l'éternité vide qu'est le poste de travail, il y a encore des événements, même minuscules, il y a encore un temps, même monstruosement étiré. Cette maladresse, ce déplacement superflu, cette accélération soudaine, cette main qui s'y reprend à deux fois, cette grimace, ce décrochage, c'est la vie qui s'accroche, tout ce qui en chacun des hommes de la chaine hurle silencieusement: je ne suis une machine.

(diálogos Sauve qui peut (la vie), Godard, 1979)

domingo, julho 16, 2006

para sempre, Marilyn

(foto: cena de The Seven Year Itch ,by Billy Wilder,1955)
Por além da beleza, carregada de sensualidade e deslumbramento , o corpo de Marilyn não foi apenas promovido (ia a dizer, explorado...) pela indústria de Hollywood como o "sex symbol" de uma época, foi também -e sobretudo- a imagem da inocência e de uma certa fragilidade que fizeram dela não uma "estrela" qualquer mas a "estrela" tout court, o ícone,
por quem todos nós nos perdemos (deliciados) a vida inteira,
irremediávelmente, a sonharmos tê-la nos nossos (a)braços para todo o sempre.

o peso da imagem


Gostaria, afinal, que a minha imagem imóvel, atormentada entre mil fotos
mutáveis consoante as situações, a idade, coincidisse sempre com o meu "eu"
(profundo,como se sabe); mas é o contrário que é preciso dizer: sou "eu"
que nunca coincido com a minha imagem, porque é a imagem que é pesada,
imóvel, obstinada(aquilo em que a sociedade se apoia), e sou "eu" que sou leve,
dividido, disperso e que, como um ludião, não fico quieto, agitando-me no meu bocal.
Ah, se ao menos a fotografia pudesse dar-me um corpo neutro, anatómico,
um corpo que não significa nada! Infelizmente, sou condenado pela fotografia,
que julga fazer bem ter sempre um semblante: o meu corpo não encontra nunca
o seu grau zero, ninguém, lho dá (talvez só a minha mãe? Porque não é a diferença
que retira o peso da imagem -nada como uma fotografia "objectiva", do género Photomaton, para fazer de nós um assassino, procurado pela polícia -, é o amor, o amor extremo).
Roland Barthes
(in La Chambre Claire (Note sur la photographie), Edições 70)

sábado, julho 15, 2006

"Infância"

(Fotos:Ivan's Childhood, by Tarkovski ,1962)

Sonhos
enormes como cedros
que é preciso
trazer de longe
aos ombros
para achar
no inverno da memória
este rumor
de lume:
o teu perfume,
lenha
da melancolia
Carlos de Oliveira
(in Trabalho Poético - primeiro volume, Liv. Sá da Costa)

Luminosidades(2)

Guardo na memória coisas das mais bonitas com que construímos o sonho;
como, por exemplo, utopia. Lembro-me de o tempo não parecer ter a dimensão real , parecer a eternidade, lembro-me de abrires os olhos ao acordar e sorrires um sorriso que nunca mais vi. Lembro-me das noites que não eram noites mas sim anos, muitos anos, e em que nos entregavamos à doçura das palavras que nunca mais diremos. Lembro-me de que não eramos ásperos, amargos ou violentos e de nunca nos termos sentido sufocados. Lembro-me do pão quente na madrugada, das zangas serem passageiras, dos passeios a pé pela cidade teminarem no cacau da ribeira ou na "vigilância revolucionária"; dos passeios de cacilheiro, de fazermos "joints" que fumávamos à socapa da família; lembro-me da noite de fim de ano num dos molhes da caparica, dos concertos do Zeca, do Zé Mário, do Fausto e do Cília, do branco das paredes de Beja, dos fins de tarde em Almoçageme, da praia ser só nossa, de sobrevivermos ao cansaço e ao extase; lembro-me da cerveja fresca manhã fora servir para nos dar força e alento; lembro-me de chorarmos num canto da sala a morte do amigo do peito; lembro-me de trocarmos segredos à mesa do café do bairro, lembro-me das festas na cooperativa do Alentejo, das matinées no Satélite ou no 444 a ver Godard's, lembro-me. De não existir rotina, de haver o hábito (ou a obrigação) de ser criativo (e inventivo), de lermos muito Sartre ("socialismo ou barbárie"), Marx e os clássicos russos, Hemingway, Steinbeck, Jack London, Camus, Kafka...,; lembro-me de gostarmos das fotos de Nadar,André Kertész , Klein e Mapplethorpe, de amarmos loucamente até à insanidade, de fazermos filmes em Super8 a imitar os cineastas da nouvelle vague, de assistirmos às peças dos Bonecreiros e da Comuna, do banho nocturno vestidos na praia de Armação ou do Ferragudo numa noite de outono, de adormecermos a ouvir Pete Seeger, Joplin ou Chico Buarque, e lembro-me de ficarmos deitados na relva a olhar o céu à espera de vermos estrelas candentes; lembro-me de às vezes vaguearmos horas a fio pela serra de sintra em busca do lugar ideal para um piquenique. Lembro-me de nunca termos renunciado nem traído o sonho -nem nos piores momentos- e termos desejado tudo, tudo o que a imaginação nos permitiu. Lembro-me, por exemplo, de nunca nos termos contentado com o infinito. E porque raio nós nos havíamos de contentar com o infinito?
Oeiras, Fevereiro de 97
(dez anos depois da morte de José Afonso)

sexta-feira, julho 14, 2006

sense of security

A new fascism promises security from the terror of crime. All that is required is that we take away the criminals' rights -- which, of course, are our own. Out of our desperation and fear we begin to feel a sense of security from the new totalitarian state."
Gerry Spence Lawyer
( in Give Me Liberty, 1998)

quarta-feira, julho 12, 2006

"o poema mais belo"


O poema mais belo que te posso oferecer
Não te falará da cidade deserta que às vezes desejamos
Nem da ilha isolada que o nosso cansaço de lutar vê como um sonho.
O poema mais belo que te posso oferecer
Será feito das imagens que juntas com a minha
Eu vejo misturadas nos teus olhos
Maria Eugénia Cunhal
(in Silêncio de Vidro, Edição de Autora, Abril 1962)

terça-feira, julho 11, 2006

Dores do Crescimento (4)

"(E) Quando tiver esgotado os anos, ou esquecido a juventude e o amor, com um nó na garganta, quererá tudo refazer...
E não refará senão o nó da sua gravata..."
-de um poema de Jerzy Skolimowski,
cineasta polaco, autor de Deep End

segunda-feira, julho 10, 2006

Luminosidades

(para a rita , a outra parte de mim...)

Mal chegámos a casa, recordo, acendemos pauzinhos de incenso junto à janela. O fumo
erguia-se como ao ralenti em direcção à mancha de sol de fim de dia que se instalara no tecto para ser contemplado até perecer.
Na cozinha onde reuniamos pratos e talheres num tabuleiro outras manchas de sol -sob os azulejos das paredes na mesa de madeira clara e a meio da porta- criavam um ambiente sugestivamente onírico.

Pus-me a imaginar fadas a planar na sala e gnomos a descerem pelas portas dos armários carregados de tostas , bolachas e saquinhos de chá.
Olho para ti , o corpo perseguido pelos raios solares que tomaram de assalto a cozinha,
e (toda) tu és luz.
Volto à sala e começo a colocar os pratos na mesa com o pôr do sol cada vez mais deslumbrante a demorar-se preguiçosamente na parede branca e também do lado oposto junto à janela da varanda a trespassar as cortinas cor laranja-verde de que tanto gostas.

Nesta casa, a luz que a visita torna muitas coisas em poderosos momentos,
que tu tão bem sabes traduzir em gestos e palavras.

Caminha, Setembro de 2005



Le Mépris: elogio da cinefilia



- Ce n'est plus la présence, c'est l'absence
de Dieu qui rassure l'homme.
- Donc, tu m'aime totalment?
(diálogos de Le Mépris (1963), de Jean Luc Godard)

domingo, julho 09, 2006

Franco Progresso

Por estes dias, tivémos direito a mais uns exemplares momentos probatórios da nossa querida incapacidade em sermos capazes de actuar com responsabilidade (a que poderia acrescentar-se também,e racionalidade) de sermos enfim capazes de abandonar, de uma vez por todas, o estado de hipocrisia e de maldade em que nos vimos consumindo desde sempre, com a alegria estonteante própria dos embriagados.

Entre o recrudescer do tráfico de influências, dos assaltos a postos de chefia por parte de aprendizes a ditadorzecos (clientelismo, oblige) e o afastamento dos quadros técnicos mais velhos, experimentados e possuidores de um capital de sabedoria , a fuga aos impostos dos mais ricos (não é deles o sistema que os protege?), a precarização do emprego e a novel bíblia (não criticarás!) para se aceder aos milagrosos subsídios do município promulgada por Rui Rio, até ao punhado de decisões de ilustres magistrados (como aquela peregrina ideia de que dar um tabefe numa criança deficiente mental não tem importância ou, mais recentemente, a criminalização das mulheres que praticaram o aborto) , Portugal parece estar a conduzir-se para a sua própria aniquilação como Estado e Sociedade.

De onde vem tanto irracionalismo e tanto absurdo? O caso de Gisberta é paradigmático do mais vil dos cinismos e da mais beata das hipocrisias. Ainda acaba tudo em "bem" com as culpas a serem atiradas ao infeliz transsexual por estar onde não devia e ter uma identidade contrária aos "bons valores morais".Há ainda o apelo ao nacionalismo patusco que finge que se leva a sério, mas não leva a sério coisa nenhuma, trata-se é de folclore circense por conta de mais um mundial de bola.

Aqui faz-se um parágrafo para lembrar que o Senhor Presidente da Região Autónoma da Madeira, o impagável Jardim, ordenou que as autoridades procedessem à retirada de uma bandeira do Brasil porque era maior... do que as portuguesas que a rodeavam.

Graças à comunicação social que nos dá diariamente uma excelente teatralização da realidade que interessa fazer passar, temos sempre direito ao prato forte da guerra , das guerras todas em que vamos vendo como seres humanos se destroem e sobretudo o fazem com requintada crueldade, como ocorre com mais uma incursão israelita em território palestiniano e no Iraque onde o desejado passeio triunfal sonhado por Rumsfeld se tornou num inferno.

Estamos em franco progresso!

sábado, julho 08, 2006

fragmentos

é sábado: passeio na avenida da liberdade a ouvir sons familiares há muito guardados como as imagens das fachadas das casas que desapareceram ou simplesmente mudaram -mudaram não, desapareceram é que é, os vestígios,tudo... quer dizer o tempo - como os telões gigantes publicitários dos filmes no magnífico Condes e no velho Éden (ambos concepção do Cassiano) o burburinho latejante de gente em redor das entradas a acotovelar-se nas filas das bilheteiras, ansiosa pela fita em ecrã largo com o herói preferido a aviar lambadas a torto e a direito para repôr a justiça e finalmente beijar a rapariga bonita ao som da orquestra antes da legenda the end nos devolver à realidade da rua.
Quando era miúdo lembro-me de chegar um dia aos Restauradores num autocarro de dois pisos descer ainda com ele em andamento e atravessar a praça a correr em direcção ao Politeama para aceder ao (meu primeiro) filme do Hawks -The Big Sky!
Passeio na avenida da liberdade não naquela de outros tempos mas nesta de agora, transformada num lugar de passagem, como se fosse uma gare, abandonada, quase vazia de gente e sem encanto, triste e a tresandar a solidão.

pensando em Godard depois de rever Numéro Deux


J'ai toujours été en va-et-vien, et cela dés mon enfance, avec une famille du côté du lac, et une autre de l'autre côté. Je ne suis nulle part, sinon à l'endroit où je trouve les moyens de communiquer. Je ne suis ni la prise de courant, ni la lampe. Je me sens plutôt entre les deux.
A la fois ici et ailleurs. Mais ni ici, ni ailleurs. Ce qui crée des relations difficiles,
aussi bien personelles que professionnelles.
Jean-Luc Godard

Requerimento

Seja por supostos estudos sobre os gostos em voga dos consumidores portugueses, -portanto, razões de (in)conveniência de mercado- seja por qualquer outra razão naturalmente subjectiva, o certo é que o lançamento em dvd dos êxitos da Paramount entre nós vem somando lacunas (algumas imperdoáveis) que não são conformes com o que ocorre na
generalidade dos mercados europeus.


Vem isto a propósito da incompreensível (e continuada) ausência no mercado dvd português de alguns títulos bastante interessantes (mesmo comercialmente falando) saídos dos estúdios da Paramount nos anos 60/70 ou distribuídos internacionalmente por si.


Entre tanto lixo e edições de filmezinhos que ninguém liga não seria de dar a (re)ver de uma vez por todas o provocatório If..., do realizador britânico, não menos provocador, Lindsay Anderson; ou o popularizado Harold and Maude (que muitas lotações esgotou no Apolo 70) , de Hal Ashby. Para mais, qualquer um desses títulos foram, à época, como se sabe estimáveis êxitos de bilheteira.

Património Cultural da Humanidade


Los Olvidados, o filme sublime de Luís Buñuel realizado no Méxido, em 1950,
integra desde 2003 o programa de arquivo Memória do Mundo da UNESCO.
Há por aí algum distribuidor corajoso disposto a comprar os direitos
e a estrear entre nós (em sala e em dvd) esta jóia da coroa do cinema ?

o universo perfeito


Ha dicho Octavio Paz: Basta que un hombre encadenado cierre sus ojos para que pueda hacer estallar el mundo. Y yo, parafraseando, agrego: basytaría que el párpado blanco de la pantalla pudiera reflejar la luz que le es propria para que hiciera saltar el Universo.

Luís Buñuel

(in Luís Buñuel, de Freddy Buache, Punto Omega/Guadarrama, 1976)